sábado, 29 de setembro de 2012

SALVADOR: AS ELEIÇÕS EM UM NOVO TEMPO



 Eduardo Sergio S. de Queiroz
Licenciado em História
Militante da Luta anti-racista

Está chegando a eleição e vale dizer: Sou de uma geração que cada vez mais esta sendo excluída do processo eleitoral! O marketing, naquele final dos anos 70 e nos anos 80, para nós, não era a arte de burlar a consciência do eleitor! Claro que tinha campanha! Camisas, bandeiras e homilética, retórica e todas as formas de manifestar artística e culturalmente que acreditávamos serem capazes de dialogar com a nossa linha de intervenção política, nos apegávamos como recurso de intervenção ideológica como ferramenta didática para o diálogo franco e aberto com as pessoas.
Como hoje, naqueles tempos existiam musicas que estavam estourando na mídia, ou nos veículos de comunicação, usando um termo de época - Ou falar Chacrinha, Globo de Ouro etc. No entanto, se o tipo, o estilo musical não comportasse o nosso entendimento de musicalidade e de manifestação artística... E se este estilo fosse considerado limitado em suas variações rítmicas e dar aos acordes o direito a também lutar pela sua liberdade.
Mas, é como se tivessem negado a alteridade de uma geração colocando-os numa gaiola; e preciso cantar Jorge Papapá e dizer: "Passarinho, sai do ninho e vem ver o que fizeram comigo..." Quero envelhecer, mais do que já estou sem querer acreditar que o marketing é a arte da enganação, de ludibriar e que seu êxito consiste em vender gato por lebre! Os candidatos agora são produtos e o lançamento de um produto no mercado é precedido de segmentação, etc, etc, etc. E fazem todo um trejeito para que o produto fique a cara do jeito que aquele determinado público consumidor irá absorver como se fosse real, ou seja, como se fosse seu! Isso não é novidade... O segmento que na época considerávamos direita usava isso com maestria.
Ø      É uma extensão ou escolinha das torcidas organizadas! Você tem um público que não tem acessibilidade a saúde, educação, as formas de manifestação artística e cultural – e o debate político que chega: QUERO TRABALHAR POR VOCÊ, DEIXE EU TE AJUDAR, QUERO TE DAR O QUE VOCÊ PRECISA, QUERO FAZER POR VOCÊ... É como se do outro lado, nos lares e demais espaços que o aparelho de tv está ligado, estivesse repleto de VAGABUNDOS, DESOCUPADOS e INDOLENTES, que nada fazem e que nada sabem fazer e que precisam votar em alguém para isto.
A criatividade fazia parte do marketing da esquerda, sem o que era quase que impossível levar as suas mensagens; até porque, naquela época existia um personagem que, talvez, as novas gerações não conheçam: @ MILITANTE! E este personagem fazia a diferença no processo eleitoral, municiado e movido pela apaixonante utopia revolucionária - de uns tempos para cá, Utopia passou a ser algo planetário, coisa de lunático. Não é bem assim! Tinha que ser bem refletida e debatida... Na campanha do prof Josaphat Marinho Luiz Caldas fez uma paródia com o sucesso do momento "NÊGA DO CABELO DURO"; numa outra campanha depois, lembro de Paulo Souto, ACM e Cezar Borges, um time, de camisas listradas; e vi um discurso em Ilhéus inesquecível onde ACM dizia: "quero ajudar esta cidade, agora, é preciso que ela eleja um prefeito que tenha afinidade política com o nosso governo".
- O jingle tinha que expressar o sentimento e entendimento de política para o grupo; por esta razão “Minha cidade” dizia muito para quem estava inserido no contexto e fazia parte da mensagem política ideológica inclusive de olhar para a arte!
No curso de tudo isto, PTretos 82, o comitê unificado no Bairro Guarani, que a proposta foi um avanço significativo, o NACEB, a disputa de Frentes Negras e chegamos a estas eleições com o pessoal fazendo conosco a mesma coisa que fizeram na metade dos anos 80 quando começaram a perder quadros para o movimento negro... Como o estereótipo e viver dele estão em voga, tem muita coisa sombria acontecendo e o debate racial, o debate sobre os nossos ficou nos PAGODES ELEITORAIS E/OU NAS BATIDAS MASSIFICADAS DOS NÚMEROS QUE NINGUÉM EM SUA PERFEITA CONSCIÊNCIA SUPORTA MAIS! Chega a ser imoral - É tanto, É tanto, É tanto.... E Ainda dizem: E quem não agüentar!!! Verdadeiro afronta a nossa capacidade de reflexão! Este comportamento é próprio para coibir qualquer espaço e tempo de se discutir as dores e angústias que amargamos como resultados diretos de políticas de saúde, educação e segurança pública que estão entrelaçadas a uma linha de ação política de limpeza étnica... Fora isso, é limitar e alimentar a ideia para a sociedade que a nossa luta por políticas públicas afirmativas é a luta do contra ou a favor das cotas - na verdade, se no ano passado já se sabia quanto um vereador teria que gastar para ser eleito este ano, imagina para eleger um prefeito??? Do mesmo modo que logo após esta eleição os cálculos começarão a serem feitos para se saber quanto um deputado terá que gastar para ser eleito; fora deste cálculo uma pessoa pode se candidatar como aventureir@. Vamos que vamos, vamos às urnas que a luta continua! E como num restaurante À Kilo, temos que ser mais seletos e criteriosos com nossos aliados para evitar uma congestão.

domingo, 23 de setembro de 2012

SALVADOR: ELEIÇÕES 2012



Duda S.S Queiroz
Licenciado em História
Militante da Luta Anti-Racista

ELEIÇÕES 2012 
 NO VOTO A SORTE
 NUM JOGO DE CARTAS MARCADAS!

Para a colunista política do Jornal Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde, a morte de Antonio Carlos Magalhães deixou uma lacuna muito grande na vida política da Bahia, o que gerou uma briga entre os políticos que ficaram, uma espécie de competição entre o centro, a direita e a esquerda pra saber quem vai ser o novo ACM.
“O erro dos políticos baianos é querer repetir um modelo que se encerrou com o Antonio Carlos Magalhães, é preciso alguém que olhe para a frente”, afirmou a jornalista numa entrevista ao Bahia 247. Ela também questiona: “Será que o Brasil e a Bahia de hoje, que são urbanizados, que têm internet,
que são globalizados, comportam um novo ACM?”. 

                         Por Matheus Morais_ Bahia 247
     http://bahiaempauta.com.br/?p=47136  - Acesso em 22/09/2012



É assim que chegamos às eleições para prefeito e vereador em 2012! E o debate em pauta é que o candidato do DEM ACM Neto, líder nas pesquisas de intenção de voto, votou contra as “cotas” no congresso. Na verdade, há uma surpresa com o desempenho da aceitação popular para com a militante do movimento negro e vice-candidata na chapa com ACM Neto, a profª Célia Sacramento!
É neste clima que o voto racial é descoberto! O importante para nós é refletirmos sobre tudo isto... Quem somos? Onde estamos e quais perspectivas que vislumbram para o nosso povo? Volto ao questionamento do militante, escritor e profº Walter Passos pelos idos dos anos 80: POR QUE NÃO NÓS? E nesta batalha que há muito estamos travando, tivemos que ser didáticos, e para ensinar às “esquerdas possíveis aliadas a olharem para o Brasil e compreenderem, ou ser tolerante a idéia de que a luta anti-racista não dividia a classe trabalhadora.
“Entre esquerda e direita, continuo sendo preta”; esta frase da ativista Sueli Carneiro é oportuna! Precisamos olhar para nossa trajetória, olhar para o que foi construído ate então e procurar responder a pergunta que não quer calar: POR QUE NÃO NÓS? Numa perspectiva quilombola, que consiga aprofundar e trazer o “Quilombismo” como um fundamento para a partir deste estabelecermos estratégias de alianças, para que possamos nesta reta final de campanha chegar nas comunidades, guetos, favelas etc. E sermos mais verdadeiros, e assim falar de frente:
·         Falar que racismo é racismo; e que não existe esta coisa de mais ou menos racista!
·         Falar que o modelo de educação publica que oferecido as nossas crianças e adolescentes é um modelo racista! Só para se ter uma noção, o estado até a presente data convive com profundas dificuldades em implantar as leis 10 639/03 e 11 645/08; enquanto que a Prefeitura implantou a marteladas como algo que tinha que acontecer, deu mídia etc. E pronto!
·         Falar que entendemos também como racismo o conjunto de entes queridos que perdemos, diariamente, por conta de um atendimento precário e perverso, que muitas vezes, vem com o eufemismo de negligência ou erro médico, em postos e/ou hospitais públicos.
Edith Piza e Maria Aparecida da Silva Bento (2002) remete-nos a estas reflexões: O que é ser branco na sociedade brasileira? Qual papel que o branco ocupou ou ocupa numa situação de desigualdade racial no Brasil? (Cf. “Psicologia Social do Racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento”). Quando se trata de questão “racial”, esquerda ou direita, rico ou pobre, carioca ou paulistano, corintiano ou palmeirense, universitário ou analfabeto, mulher ou homem, heterossexual ou homossexual deixam suas divergências de lado e tornam-se apenas brancos. Refiro-me excepcionalmente ao branco brasileiro.
No combate ao racismo tanto o branco de esquerda, quanto o de direita são conservadores. Talvez seja esta uma das razões da indignação e gritaria com a universidade que adota a política de ação afirmativa. Política que a mídia diminui: “a cota para negro”, e instiga a sociedade “ser contra ou a favor”.
           Acesso em 20/08/2012

E aqui nas eleições de Salvador, as políticas de ações afirmativas foram reduzidas ao ser contra ou a favor das “cotas”! E assumir este discurso, é se propor a entregar o corpo para viver sob a orientação de uma mente branca, é não se julgar capaz de pensar conforme sinalizou Eldridge Cleaver.  É prudente que as pessoas façam suas opções e queiram participar do processo eleitoral de uma forma ou de outra! No entanto, é banditismo afirmar e levar para as comunidades o discurso que esta fazendo isto por NÓS. Pois, é prudente também, chegar e dizer: - A coisa esta pegando, e eu preciso me fazer, tô precisando puxar uma ponta e estou aqui construindo uma perspectiva de mostrar que sou confiável, talvez, me aceitem melhor e assim, sobre alguma coisa prá gente...
Eu posso discordar deste mecanismo, mas devo respeitar e entender que ao longo da trajetória de nosso povo este artifício foi muito utilizado! É verdade que em circunstâncias muito mais adversas do que hoje, e que não foi o único ou a única forma de luta – até porque, alguma coisa na resistência que era a vida cotidiana, os antepassados construíram para nós! Entre as várias ferramentas de luta que marcaram a resistência do nosso povo, o BANZO foi uma alternativa extrema a ter que viver como mula, com rédeas, ciente das chicotadas para “ajustes” sempre que quem estivesse montando julgasse necessário.
Hoje o chamado direito de ir e vir para sair ou entrar em Salvador, esta garantido desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar dois pedágios, tanto para sair como para entrar na cidade! São muitas violências que o povo negro precisa trazer para as reflexões neste processo eleitoral – precisamos buscar candidaturas que melhor expressem as políticas de alianças que devemos traçar para avançar nas lutas que temos travado; não há condições de chorar sobre o corpo de um irmão “... que num triste legado da escravidão, tombou sem direito a opção” e dizer: esta tudo bem! Esta bala que lhe rouba a vida precocemente é progressista – é melhor assim que uma bala conservadora!
São estas razões que me levam a votar: