segunda-feira, 2 de julho de 2012


A MULHER AFRICANA NA ARTE DE SURAMA CAGGIANO

Por: Eduardo Sergio Santiago de Queiroz
Surama com a Ministra da SEPPIR Luiza Bairros
  
Surama Caggiano uma artista plástica que resolveu entrelaçar a sua história de vida, a sua forma de se manifestar artística e culturalmente; levantou a bandeira da sua ancestralidade e foi à luta compilando em cada momento de entretenimento com suas criações retratos do zelo, do carinho e da proteção materna interrompidos aos 5 anos de idade.
A “Mulher Africana” independente de nacionalidade, apesar de Cabo Verde, Guine Bissau, Togo, Nigéria, Senegal e Costa do Marfim servirem como fonte de inspiração, nos momentos das suas buscas existenciais, para se religar a partir da sua avó em Pindobaçu (Palmeira Grande) no interior da Bahia, aos vínculos identitários que dão razão ao seu ser.
http://artesurama.blogspot.com.br/
Surama não trabalha com a vitimização da “Mulher Africana”, ela trabalha com as estratégias do cotidiano quer fossem como mães, como ganhadeiras ou mesmo como protagonistas observadoras da cena cotidiana, fazendo suas leituras e reflexões; guardadas as proporções, é retratada uma mulher que soube no primeiro momento transformar o ato de gerar e educar as novas gerações, em instrumentos de visibilidade pela existência.
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Nas “mulheres Africanas” que Surama encontra elementos em mosaicos e retalhos de religação e inspirações fazem o cenário de resistência de qualquer mulher negra, não exatamente pelo continente africano, o seu ser mulher, sem renunciar ao dom de ser mãe, sem renunciar seus sentimentos e emoções e sem deixar de expressar sua graça e a sua ternura e transformando nos movimentos mais comuns do cotidiano, mecanismos que fossem capazes de manter viva a esperança de seu sonho se realizar em um descendente mais próximo possível no amanhã.
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Faz parte deste trabalho de resgate identitário, uma relação de entretenimento, troca de experiências e crescimento com comunidades quilombolas como este curso na Comunidade Quilombola de Brotas / Itatiba.
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É dentro deste universo de leitura de mundo que a artista aguça a sensibilidade e encontra muitas respostas as indagações que, por vezes, se flagrava fazendo sobre as razoes do seu próprio Eu, da busca incansável pelos fragmentos que as incertezas da vida por obra do acaso e em nome do destino não lhes concedeu a oportunidade de ir regando esta flor a cada primavera; uma raiz com base sólida! No entanto, a herança social dos povos que na diáspora aprenderam a cuidar uns dos outros, que fizeram das diferenças motivo de orgulho e determinação, sua Ayabá materna trouxe na bagagem da linhagem mais remota da sua ancestralidade; nestas razões espirituais e de tempo que Surama é envolvida pelo toque ancestral para dar imagem real com as cores da vida às esculturas que acontecem a partir do seu entalhe, em forma de um canto de esperança. São várias as leituras; no entanto, não posso deixar de expressar a minha e levantar o convite para que essa viagem seja feita por todos; claro que cada um com seus sonhos e suas emoções.



4 comentários:

Surama Caggiano disse...

Querido amigo Eduardo, suas palavras chegou em minha alma com muita alegria e farei delas mais uma condição para que jamais desista de meu caminho! agradeço pelo presente de todo meu coração, grande beijo junto com minhas lágrimas de muita emoção!

Birula artes disse...

Eu sou suspeita de falar, pq sou fã sem carteira, porque a Surama ainda não me deu, mais adoro os trabalhos dela, principalmente junto aos quilombos. Palmas para vc querida!

Julia Caggiano disse...

É com imensa alegria e orgulho que leio a beleza destas palavras dirigidas ao trabalho da minha mãe! Mulher simples e guerreira que me ensina a todas as horas que lutar por aquilo que queremos e sentimos vale a pena! obrigada pelo presente! abraços. Julia Caggiano

PAPO DE MUZENZEIRO disse...

Agradeço pelo carinho e pela atenção!!! Julia, não conheço sua mãe, mas sei que existe esta mulher maravilhosa, acima da média e que consegue expressar artisticamente o glamour que representa o seu olhar para a vida... Sou um militante do movimento negro, desde os anos 80 e confesso que poucas vezes encontrei manifestações artísticas voltadas ao nosso povo que estivessem fora do estereótripo - Surama faz isso! Ela foge, por exemplo, das mulheres negras que hegemonizam os quadros e as telas que as retratam no pelourinho (Salvador)... Geralmente fantasiadas de baianas ou como consagrou Di Cavalcanti: lascivas, sempre com um detalhe ou um corte de sensualidade; Surama retrata a mulher, o ser humano grandioso e sensível que come, veste, dorme e sem as constantes anomalias provocadas pelo olhar machista e racista, patológicos e impiedosos! Julia Caggiano, se esta mulher é a sua mãe, quem merece parabéns aqui é você.