quinta-feira, 26 de julho de 2012

SALVADOR/BAHIA A POESIA VIVE E RESISTE



Noite do dia 23 de julho no Espaço Cultural da Barroquinha, Salvador, Bahia. Homenagem ao poeta Wagner Américo (chapéu preto) de 87 anos, que entregou sua 10.000ª flor. Uma trupe de poetas, cordelistas, atrizes que inundou a Noite de Poesia.

Por Douglas De Almeida: 
Wagner Américo entregou a 10.000ª flor a Deraldo Lima (Camisa azul e cabelos e barba brancos), diretor da mais antiga Galeria de artes plásticas em ação: Galeria XIII. Poetas (Marcos Peralta, Douglas de Almeida), cordelistas (Antonio Barreto) e atrizes ( Rita Pinheiro, Jeane Sánchez) recitaram em homenagem às duasgrandes figuras da cultura baiana. Promoção da Biblioteca Betty Coelho.

sábado, 21 de julho de 2012

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA E OS SALÁRIOS

POLÍTICA


 21/07/2012 às 00:02

Tribunal de Justiça da Bahia divulga salário de servidores

Biaggio Talento l Agência A TARDE
http://atarde.uol.com.br/noticia.jsf?id=5855824
O Tribunal de Justiça da Bahia colocou no seu site, na sexta-feira, 20, a listagem nominal dos salários dos seus servidores para cumprir uma determinação do Conselho Nacional de Justiça devido à Lei da Transparência. O prazo para divulgar as listagens do Judiciário terminou justamente na sexta.
Há cerca de um mês, o TJ-BA publicou listas separadas, ou seja, uma informava a relação dos funcionários e uma outra, a dos vencimentos dos cargos, o que não permite saber quem ganhava o salário.
Agora, é possível consultar por ordem alfabética os nomes com os cargos, vencimentos e descontos e descobrir, por exemplo, que tem motorista ganhando R$ 13 mil e engenheiro, R$ 28 mil.

Para chegar às informações é preciso, na primeira página do portal do tribunal apontar o mouse para o item Transparência, que fica na parte de cima da home page. Quando abrir a relação de subitens, o dos salários e cargos está com o título “Sistema de Remuneração”.
No caso do profissional com curso superior, é necessário reduzir o valor em R$ 6 mil para ajustar o salário ao subteto do Estado. O maior vencimento é do desembargador Mário Alberto Hirs, presidente do Tribunal. Ele ganha R$ 34 mil, mas, com o corte constitucional, o valor passa para R$ 25,4 mil.
Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde deste sábado, 21, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital.

sexta-feira, 20 de julho de 2012


PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA; 100 DIAS NA LUTA PELO DIREITO AO PISO NACIONAL
Por: Eduardo Sergio Santiago de Queiroz

Esta semana, 16 de julho 2012, o Ministério Publico do Estado da Bahia e o Tribunal de Justiça do Estado, lançaram uma Nota Pública em que afirmam ter esgotado todos os recursos possíveis para a “obtenção do consenso para o término da greve dos professores da rede pública estadual”; uma NOTA FÚNEBRE! Uma negociação entre outras, é um processo de comunicação que carrega a perspectiva de atingir um acordo sustentável sobre posições e necessidades diferentes. É uma prática de exercicio comum na existência humana! E O Ministério público existe justamente para garantir que os comuns tenham “direito a ter direitos”.

No entanto, toma partido a favor do governo, ao afirmar que o movimento grevista dos professores está causando graves prejuízos para toda coletividade! O que chama à reflexão, é que estes organismos tem sido omissos em relação a acionar quem de direito é responsável pela grande falacia que vem sendo a educação publica no estado; as escolas particulares foram chamadas para cumprir as Leis 10 639/03 e 11 645/08 – no entanto, na rede estadual de ensino, até hoje só costura e enganação. Por outro lado, numa escola particular, o icentivo a leitura passa por um processo de discussão que envolve, necessariamente, os procedimentos biblioteconômicos; coisa que inexiste numa escola pública!
A declaração dos orgãos de Justiça da Bahia traz um elevado grau de desconhecimento sobre Leis!!! A Lei Diretrizes e Bases da Educação Nacional em seu artigo 1º entende a Educação Escolar de uma forma muito mais ampla, que apenas o professor em sala de aula; acontece que estas outras dimensões que completam a vida escolar conforme a LDB se refere, só eupátridas têm acesso! Em um artigo publicado no Joarnal A Tarde de 17/07/2012 no espaço Opinião, o Educador e Poeta Jorge Portugal considera o movimento como extermínio de futuros, apesar de reconhecer a existência de “uma farsa secular do ensino médio no país”.
Esta colocação do Educador e Poeta espelha o olhar de mercado para a educação: existe um departamento que não está bom, precisa ser melhorado!!! A educação é um corpo e, se uma parte não está funcionando, todas as demais irão sofrer as consequencias. E quanto ao Ensino Fundamental e Infantil? É um vergonhoso discurso de pouco caso para com a base dos “filhos da grande parcela invisivel do nosso país e estado”. Outra coisa, uma instituição de Ensino Superior exige base e exclui; e porque “cargas d’água” todos tem a obrigação de nascer com vocação acadêmica para ter alguma possibilidade de respirar na vida? Neste momento, volto a triste nota do MP e do TJ Bahia, quando sinalizam que a greve dos professores da rede estadual de ensino está causando “serios prejuíjos para toda a coletividade”.
Envolvidos por uma miopia política e social estarrecedoras, os organismos que a sociedade mantém para equalizar o dialogo e manter o equilibrio na sociedade, não conseguem perceber que a paralização dos professores é só a ponta do iceberg – quando andamos por esta Bahia e vamos como uma objetiva encontrando crianças como base da estrutura das relações numa feira-livre, quando conseguimos focar várias cidades que não possuem um cinema, um teatro, uma biblioteca pública, ou seja: inexiste educação escolar!!! Fica a pergunta: Quem então vai regular as atividades estatais e/ou privadas conforme os ditames da justiça social?
Apartir do momento em que o MP e o TJ Bahia vão à público para em meia lauda lavar às mãos, é visível que muita sujeira persiste; e este gesto é um convite a bábarie – considerando que alegam ter esgotados os recursos para mediar uma solução, ao se afastarem, julgando não ter competência para propor  ações públicas representando a sociedade, deixam o caminho livre para que vença o mais forte. E cada um com suas armas vão ter que digladiar até um cair! É importante considerar que todo este conflito está acontecendo porque em 11/11/ 2011 a APLB-SINDICATO e Representantes do Governo do Estado assinaram um acordo sobre o reajuste salarial dos professores da rede estadual, e agora o governo alega que não tem condições de cumprir o acordo.
É “cada um por si e Deus por todo mundo”, e para fazer valer os direitos teoricamente garantidos constitucionalmente, professores e pais de estudantes vão à luta contra um governo que já bateu pé firme que não vai cumprir a palavra e pronto!
Como o MP e TJ Bahia se julgaram incompetentes em tomar uma posição que atendesse aos interesses da sociedade e lavaram às mãos, entrou no esquema global, aliás, não faz muito tempo que o MP/Ba andou visitando escolas e indicando como meta de qualidade que estas procurassem uma forma de se inserir no programa da rede globo amigos da escola, ou seja: a partir de agora é o VALE-TUDO! A sociedade através de segmentos civis organizados, pais de estudantes e APLB-Sindicato, foi colocada por aquele que deveria ser seu parceiro no processo de controle das atividades da Administração Pública, como refém em uma guerra histórica travada pelos de baixo por direito à cidadania contra um inimigo perverso e implacável
Trechos de duas musicas dos “manos” Adailton Poesia e Valter Farias a primeira para o bloco Afro Olodum e a segunda para o MalêdeBalê.

"...Num triste legado da escravidão
Anecessidade fazendo a razão
Dói ver em cada esquina
Partir um irmão
Que tombou
Sem direito a opção..."

"...Numa explosão de mazelas e desigualdades
O preconceito chocou o "Ôvo da serpente..."




ANEXOS:



Assessoria de Comunicação Social       
16/07/2012 23:01:23
Nota pública
 NOTA PÚBLICA 
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA e o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA, ciosos da dignidade constitucional da educação como um valor fundamental e conclamados pela APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia), e, em seguida, pelo Estado da Bahia, para mediação conjunta, realizaram numerosas atividades mediadoras, nos últimos dias, voltadas à obtenção de um consenso para o término da greve dos professores da rede pública estadual, que perdura há quase cem dias – com graves prejuízos para toda a coletividade. 
Persistindo o impasse, em razão da não obtenção de um acordo em tempo hábil e visto a aproximação de uma situação de dano irreversível ao calendário escolar, após empreendidos todos os esforços e ante a ausência de condições objetivas de resolução no âmbito da mediação, não resta outra alternativa às referidas Instituições-Mediadoras senão considerar, nas atuais circunstâncias, concluídas as negociações, sem prejuízo da inevitável obediência aos demais desdobramentos legais. 
Salvador(BA), 16 de julho de 2012
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA -TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

ASCOM/MP – Telefones: (71) 3103-0446/ 0449/ 0448/ 0499/ 6502


Referência:
A Tarde; 17/07/2012. Jornal, coluna Opinião. A3



domingo, 15 de julho de 2012


PROJETO MINHA CASA MINHA VIDA PARA INDÍGENAS

Texto do espaço: REGINA SILVA, KOKAMA DA COIAMA
Conforme escrevi há um mês sobre a situação política no Amazonas, vou colocar aqui situações que já estão acontecendo em nosso meio indígena e o que chega a ser revoltante, é a forma como está sendo colocada uma reivindicação em projetos de habitação para a população indígena, uma vez que não se leva em consideração sequer os parentes que não tem os esclarecimentos necessários.

 (foto do site estadão)

Tiram-se proveito de pequenas interpretações não importando a quem irão prejudicar esse caso embora pareça simples futuramente irá causar conflitos internos no meio indígena. E o pior é que tem até índios cursando universidade sendo ‘enrolado “ nisso.
No dia 03 de maio de 2012, alguns índios foram fazer uma “visita a Caixa Econômica pela formatação do projeto social que propiciará  a construção de 600 moradias para índios na Região Metropolitana de Manaus dentro do Programa Minha Casa Minha Vida”, segundo um órgão de divulgação, não sei o que levou os parentes indígenas a se precipitarem a fazer cadastros para aquisição de casas deste projeto, quando no encontro realizado entre lideranças indígenas e dirigentes da Caixa Econômica em Manaus, ficou acertado que as reivindicações dos índios seriam  analisadas para a formatação de um projeto com apresentação de documentos técnicos, jurídicos e trabalho social. Ao final da análise que está sendo feita por técnicos do banco, o projeto será encaminhado a matriz da Caixa e posteriormente ao Ministério das Cidades que detém os recursos para Estados e onde acontece a seleção de projetos. Veja Link com esta informação: http://www.emtempo.com.br/editorias/economia/11920-liderancas-indigenas-pleiteiam-inclusao-no-minha-casa-minha-vida.html
A partir dessa data segundo alguns parentes que tem vindo me perguntar até onde é verdade esse fato, está correndo um abaixo-assinado em forma de cadastro, por todas as comunidades indígenas de Manaus e do Alto Solimões como forma de pressionar o governo para a realização desse Programa que certamente não é conforme está sendo divulgado no meio indígena.
Existem situações diferentes como exemplo:  alguns desses índios que assinam esse abaixo-assinado, moram em áreas indígenas não homologadas e alguns que moravam em área de risco em Manaus como aquelas 12 famílias que ainda estão morando na garagem da FUNAI, cujo problema já está nas mãos da justiça, sequer conseguiram definições.
Um deputado do PT do Pará ao elogiar a Presidenta Dilma Rousseff  pela criação desse Programa, explica de forma simples e objetiva: “Este Programa Minha Casa Minha Vida 2, lançado este ano com a meta de entregar 02 milhões de moradias populares até 2014, o dobro da meta da primeira etapa do Programa”.
O parlamentar ressalta que “atendendo reivindicações de movimentos sociais do campo, a Caixa Econômica Federal  terá o crédito facilitado para atender a realidade de várias populações indígenas, extrativistas, quilombolas, pescadores artesanais e familiares QUE GANHAM ATÉ R$ 40 MIL POR ANO. Veja no site do Deputado: http://miriquinho.blogspot.com.br/2011/08/minha-casa-minha-vida-2-atendera.html
Lembramos que a maioria desses índios (na capital),vive na situação de vulnerabilidade, como farão para atingir os R$ 40 mil?  No entanto se procurassem se informar sobre o que se passa deveriam saber que já existe um Programa de Apoio as Comunidades – Desenvolvimento Comunitário – Programa Moradia que consta a Ação do Plano Plurianual – PPA, denominada “Construção de Moradia Para Comunidade Indígena.
A Ação é estruturada e, efetivamente iniciada em campo, o GT teve acesso a Chefia do Gabinete do Ministério das Cidades, expondo uma apresentação da proposta de moradia para os povos indígenas  idealizada pelos técnicos da FUNAI na esperança da inclusão dessas demandas nos Programas do Ministério.
Como se percebe já existe Programas específicos de moradias para os índios, que é de esfera federal, cabendo aos estados e municípios apenas fazer a parceria para a execução, não é necessário fazer abaixo assinado.  Cabendo aos índios se organizarem conscientes de seus Direitos Constitucionais e fazer valer suas necessidades evitando o sensacionalismo.
Existe ainda um critério social para as famílias que ganham até R$1600,00 veja no quadro a seguir: HABITAÇÃO URBANA
PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA – ENTIDADES – PESSOA FÍSICA
Financiamento habitacional destinado a tornar acessível a moradia para famílias com renda
mensal até R$ 1.600,00, organizadas e apresentadas por Entidades Organizadoras, assim
entendido as Cooperativas, Associações ou entidades da sociedade civil sem fins lucrativos.
Para participar do Programa a EO deve estar previamente habilitada pelo Ministério das
Cidades. A relação de EO habilitadas consta do sítio daquele Ministério.
MODALIDADES
• Aquisição de Terreno e Construção
• Construção em terreno próprio ou de terceiros
• Aquisição de Imóvel Novo ou Para Requalificação
PÚBLICO ALVO
• Famílias com renda de até R$ 1.600,00.
SUBVENÇÃO ECONÔMICA
A subvenção econômica é o valor decorrente da diferença entre o valor da operação definida
pela região, porte do município, modalidade de financiamento, regime de construção e o
somatório das cento e vinte prestações mensais assumidas contratualmente. A subvenção será
concedida nas prestações mensais, ao longo de cento e vinte meses.
BENEFICIÁRIO
• Indicado pela Entidade Organizadora;
• Capacidade civil (maioridade ou menor emancipado com 16 anos completos);
• Regularidade do CPF na Receita Federal;
• Brasileiro nato ou naturalizado, se estrangeiro, ter visto permanente no País.
• Renda familiar bruta de até R$ 1.600,00
• Condições para aprovação do Beneficiário
• Ser indicado pela EO;
• Estar cadastrado no CADUnico
• Apresentar regularidade do CPF na Receita Federal;
• Não possuir registro no CADIN;
• Não possuir débitos não regularizados junto à Receita Federal;
• Não ser detentor de financiamento ativo no SFH em qualquer parte do País;
• Não ser proprietário, cessionário ou promitente comprador de outro imóvel residencial em
qualquer parte do país;
• Não ter recebido a qualquer época, subsídios diretos ou indiretos com recursos
orçamentários da União e/ou Fundos Habitacionais FAR, FDS, FGTS e FNHIS para aquisição
de moradia
Para que não possa haver informações erradas sobre este projeto de habitação do Governo Federal, estou publicando a seguir um link, no qual consta uma cartilha da Caixa Econômica Federal, com todas as informações sobre o Projeto Minha Casa Minha Vida, para  que todos os indígenas e não indígenas, possa se informar sobre os critérios exigidos para quem quer adquirir casas deste projeto. Acesse este Link: http://downloads.caixa.gov.br/_arquivos/habita/mcmv/CARTILHACOMPLETA.PDF

terça-feira, 3 de julho de 2012

MULHERES NAS ELEIÇÕES DE SALVADOR: 2012


O FENÔMENO CÉLIA E OLÍVIA E AS ARTIMANHAS DO PODER DA RAÇA E DO GÊNERO
Por Ana Cláudia Lemos Pacheco

Independente das convicções políticas e ideológicas que cercam as candidaturas das Vices-prefeitas de Salvador, Célia Sacramento, candidata a vice- prefeita pelo PV (Partido Verde) na coligação com o DEM (partido dos Democratas) e Olívia Santana, candidata a vice- prefeita do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) coligada na chapa majoritária do PT (Partido dos Trabalhadores); é inconteste o “ salto” que estas duas candidaturas negras-femininas deram na apólice segura da hegemonia branca e masculina que há quatro séculos vem governando ou disputando o poder político na prefeitura de Salvador.
Poderia iniciar essa pequena reflexão com uma observação pela defesa ideológica e partidária com a qual me filiei e me identifiquei por muito tempo, ou então, poderia reproduzir o discurso do “faz de conta” que há um projeto político bem demarcado entre os partidos da esquerda e da direita, principalmente em relação a nós negros e negras, o que não há, com os quais os discursos mais plasmados têm se dirigido às duas candidaturas, ou então, poderia seguir a linha mais casual ventilada nas redes sociais, “mais uma vez, os negros continuam sendo figurinistas, não são protagonistas do poder, são subservientes... continuam na senzala ou a reboque do homem branco”.
Tais formulações esquecem-se que há mais de 500 anos, nunca tivemos duas candidatas negras que disputassem com maestria o poder branco- masculino, quer da direita, quer da esquerda à prefeitura de Salvador, salve engano, fora a eleição da Deputada Lídice da Mata como Prefeita, que respondia muito mais a uma especificidade de gênero e outras demandas, do que a de raça, fora esse episódio na história política de Salvador, os discursos e bandeiras dos movimentos sociais negros e do movimento de mulheres negras brasileiros nunca foram levados à sério pelas máquinas mortíferas partidárias do poder senhorial soteropolitano.

As várias tentativas de se criar um nome “negro” consensual para disputar as eleições majoritárias à prefeitura de Salvador, sempre foram frustradas no interior das organizações políticas, e verdade seja dita, as poucas tentativas que houve, não se privilegiou discutir o nome de mulheres negras. Ao contrário, nos grandes partidos de expressão no campo da esquerda e da direita, esta possibilidade não passou de simples quimera. A procura de um nome “forte” no interior dessas organizações partidárias que pudesse alavancar votos e derrotar o adversário político, nunca teve uma cor negra. Nem mesmo Edvaldo Brito, então candidato a prefeito de Salvador, há algumas décadas atrás, não conseguiu driblar esta barreira do racismo institucional presente nos partidos de esquerda e da direita baiana.
Nenhuma outra candidatura negra conseguiu expressar tão bem, na atualidade, e denunciar os mecanismos do racismo e do sexismo e desmontar as representações sociais e simbólicas de lugares que nós mulheres negras deveríamos sempre ocupar fora de um imaginário que nos aprisiona em papéis de subalternidade da “doméstica”, ou da hiper-erotização da “mulata”, do servilismo social e sexual da negras, aos quais somos sempre vinculadas, como bem lembra as feministas negras Lélia Gonzales (1982) e bell Hooks (1995), somos vistas pela sociedade brasileira como “ só corpo, sem mente”.
Penso que as candidaturas de Célia e Olívia conseguiram instituir um novo paradigma político e epistemológico ao possibilitarem, pela primeira vez na história política de Salvador, uma reflexão forçosa do papel de nós mulheres negras na disputa política dessa cidade. É notório o impacto no campo político, na mídia, nas redes sociais, nas organizações negras; de como Mulher Negra, independente das distintas filiações e dos distintos projetos partidários aos quais fazem parte, ainda somos tratadas por nossos pares negros e brancos (as) como se nós fôssemos a “mucama” dos Sinhorzinhos da esquerda e da direita; esquecem-se da história de superação que Olívia e Célia, assim como outras mulheres negras, vem decantando em suas trajetórias sociais marcadas pela pobreza, pelo racismo, pelo machismo aos quais historicamente foram submetidas. Esquecem-se, também, das nossas avós, das nossas mães negras, que nos legou e nos lega uma história de protagonismo e de sobrevivência que devem estar presentes na nossa memória ancestral.
Memória essa que agora está sendo recriada em identidades subversivas, se olharmos do ponto de vista de nós Mulheres negras, tais identidades estão redesenhando novas possibilidades de fazer política com novos sujeitos sociais; isso não quer dizer ganhar as eleições, pois Célia e Olívia já são vencedoras antes mesmo de sabermos o resultado do pleito eleitoral.
A maior contribuição histórica que estas mulheres nos dão, é o mérito de introduzir nesse imaginário social um novo lugar para as mulheres negras que fogem à determinações das ideologias dominantes das representações sociais da senzala / casa grande; elas mesmas, driblaram tais hierarquias sociais, através do trabalho, da educação, da política, das estratégias familiares; desmontam com os discursos racistas que acreditam que nós negros somos incapazes intelectualmente e politicamente, a não ser no plano da subserviência ao poder branco; e desconstroem com as narrativas das hierarquias de gênero e raça, invertendo as regras do jogo da dominação cultural e política; eles que estão à “serviço delas”.
Em nenhum momento da história dessa cidade, viu-se duas mulheres negras “ roubarem” à cena da política e da mídia; elas viraram a grande sensação dessa cidade; são verdadeiras herdeiras da Luiza Mahin, que comandou com maestria uma das maiores rebeliões escravas no século XIX, na Bahia.
Por tudo isso, o que se está discutindo nesse texto, não é o que Neto e Pellegrino têm a dizer sobre nós, mas o que nós temos a dizer sobre como mulheres negras estão subvertendo a lógica da dominação racial e de gênero na “cidade das mulheres”.

segunda-feira, 2 de julho de 2012


A MULHER AFRICANA NA ARTE DE SURAMA CAGGIANO

Por: Eduardo Sergio Santiago de Queiroz
Surama com a Ministra da SEPPIR Luiza Bairros
  
Surama Caggiano uma artista plástica que resolveu entrelaçar a sua história de vida, a sua forma de se manifestar artística e culturalmente; levantou a bandeira da sua ancestralidade e foi à luta compilando em cada momento de entretenimento com suas criações retratos do zelo, do carinho e da proteção materna interrompidos aos 5 anos de idade.
A “Mulher Africana” independente de nacionalidade, apesar de Cabo Verde, Guine Bissau, Togo, Nigéria, Senegal e Costa do Marfim servirem como fonte de inspiração, nos momentos das suas buscas existenciais, para se religar a partir da sua avó em Pindobaçu (Palmeira Grande) no interior da Bahia, aos vínculos identitários que dão razão ao seu ser.
http://artesurama.blogspot.com.br/
Surama não trabalha com a vitimização da “Mulher Africana”, ela trabalha com as estratégias do cotidiano quer fossem como mães, como ganhadeiras ou mesmo como protagonistas observadoras da cena cotidiana, fazendo suas leituras e reflexões; guardadas as proporções, é retratada uma mulher que soube no primeiro momento transformar o ato de gerar e educar as novas gerações, em instrumentos de visibilidade pela existência.
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Nas “mulheres Africanas” que Surama encontra elementos em mosaicos e retalhos de religação e inspirações fazem o cenário de resistência de qualquer mulher negra, não exatamente pelo continente africano, o seu ser mulher, sem renunciar ao dom de ser mãe, sem renunciar seus sentimentos e emoções e sem deixar de expressar sua graça e a sua ternura e transformando nos movimentos mais comuns do cotidiano, mecanismos que fossem capazes de manter viva a esperança de seu sonho se realizar em um descendente mais próximo possível no amanhã.
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Faz parte deste trabalho de resgate identitário, uma relação de entretenimento, troca de experiências e crescimento com comunidades quilombolas como este curso na Comunidade Quilombola de Brotas / Itatiba.
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É dentro deste universo de leitura de mundo que a artista aguça a sensibilidade e encontra muitas respostas as indagações que, por vezes, se flagrava fazendo sobre as razoes do seu próprio Eu, da busca incansável pelos fragmentos que as incertezas da vida por obra do acaso e em nome do destino não lhes concedeu a oportunidade de ir regando esta flor a cada primavera; uma raiz com base sólida! No entanto, a herança social dos povos que na diáspora aprenderam a cuidar uns dos outros, que fizeram das diferenças motivo de orgulho e determinação, sua Ayabá materna trouxe na bagagem da linhagem mais remota da sua ancestralidade; nestas razões espirituais e de tempo que Surama é envolvida pelo toque ancestral para dar imagem real com as cores da vida às esculturas que acontecem a partir do seu entalhe, em forma de um canto de esperança. São várias as leituras; no entanto, não posso deixar de expressar a minha e levantar o convite para que essa viagem seja feita por todos; claro que cada um com seus sonhos e suas emoções.