quarta-feira, 1 de maio de 2013

CAXIROLA: UM GOLPE NA CULTURA POPULAR

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2013/04/23/dilma-elogia-caxirola-e-diz-que-e-mais-bonita-que-a-vuvuzela.htm
Estamos diante de um desses tantos golpes que se tem registros na história do Brasil; caxirola nada mais é do que um CAXIXI que Carlinhos Brown rebatizou... O injusto e imoral é a negociata que envolve esse instrumento de religação ancestral e essencial em uma roda de capoeira. Deu para imaginar o tamanho e dimensão do negócio? 
Mundos e fundos de dinheiro tem sido jogado para inventar o que já existia, na verdade, para que o golpe fosse assimilado com sutileza pelo nosso povo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capoeira
É verdade que a NEGALORA é uma invenção de Carlinhos Brown; tudo bem! Agora, dizer que o CAXIXI é caxirola e que ele inventou é aberração! 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A TRAGÉDIA CONSTRUIDA PAULATINAMENTE

"Enquanto isso, iludidos ou enganadores falam de “responsabilidade social” das empresas. Outros fazem poesia com a tal “responsabilidade ambiental”. Balelas. Para qualquer capitalista não entra na contabilidade a saúde, a vida dos trabalhadores dentro ou fora da empresa."
http://prestesaressurgir.blogspot.com.br/2011/07/capitalismo-mata.html

Por Duda S. Santiago

E o Brasil continua consternado, a forma como aconteceu a tragédia em uma Casa Noturna na cidade de Santa Maria (RS), deixou o povo balançado à procura de culpados para exemplá-los. É como se a coisa fosse implacável demais porque há anos, conforme a imprensa, nada desta natureza acontecia. E foram buscar o primeiro em uma Circo no Rio de Janeiro, passaram pelo edificio ANDRAUS, Ed. Joelma e ligaram a casa noturna na madrugada de sábado para domingo em Santa Maria.
20110110_capitalismo.jpg
http://www.galizacig.com/avantar/opinion/10-1-2011/capitalismo-o-que-e-isso
É como se as vidas que ceifaram nestes episódios citados tivessem um valor de reposição inimaginável, comparado as constantes vítimas que o proprio sistema faz em seu cotidiano! Curiosamente, o primeiro caso, o do circo Norte Americano no Rio de Janeiro, envolvia uma questão trabalhista que ficou resolvida de forma confusa e que desenbocou na tragédia... Nesta de Santa Maria, dois vilões já foram sinalizados: O cantor da Banda que acendeu ao fogos de artificio e os vigilantes que num primeiro momento, antes de perceberem o que estava havendo, cumpriram o ofício de: PRÁ SAIR TEM QUE PAGAR.
http://www.barreirasnoticias.com/2012/05/como-funciona-o-capitalismo.html
Eu não vou entrar no discurso de moldar o sitema capitalista e o conjunto de relações por ele estabelecidas! Mas, nós sabemos que muitas famílias sofrem e vão sofrer durante este ano porque vão perder entes queridos na porta de um hospital ou dentro de um hospital enquanto cotiza dinheiro para fazer um internamento, ou seja, se tiver dinheiro vai ter tratamento medico adequado; se não tiver: Vai morrer ali - até porque, no jogo do regime tem a questão dos médicos, que em muitos casos formaram em uma universidade pública, e o retorno é abandonar ao atendimento publico por razões salariais.

http://prestesaressurgir.blogspot.com.br/2011/07/capitalismo-mata.html
E os pais que terão que amargar pela dor de ter que colocar seus filhos em um ensino público quer seja fundamental ou médio; sabendo que se tivesse dinheiro, teriam condições de dar uma formação escolar para eles!
 Lembro o garoto de um bairro popular de Salvador que morreu com uma bala da polícia que fazia uma batida no local; o garoto estava sentado na cama esperando o pai para dormir, a bala atravessou a janela da casa e levou uma criança que dias antes havia gravado uma propaganda para o governo do estado dizendo que sonhava crescer e ser um mestre de capoeira como o pai. Meses depois, a mesma polícia foi flagrada fazendo segurança em um bairro nobre da cidade, com linha direta e todo o aparato do estado. É assim que o termo da moda identifica os que devem ser eliminados: CONFUNDIDO COM BANDIDO.
"É a corrida generalizada atrás do dinheiro, é a competição cega das empresas no mercado, é a invenção de novos produtos, é a caça, pelos consumidores, do que “vai ser moda”, é a incessante mudança de processos e o sucateamento precoce de homens e máquinas, E é o trabalho alienado de muitos, subordinado às ordens do capital agindo às cegas que, ao agir assim, ora cria progresso, ora crise, ambos inadvertidamente.” http://fulcral.blogspot.com.br/2009/11/qual-e-essencia-do-capitalismo.html
 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Vivemos um momento em que muitos dos valores e das concepções que sustentaram parte da história da humanidade têm sido confrontados! São vários questionamentos e mitos que como efeito dominó vem sendo derrubados um após outro; quando não, vários ao mesmo tempo. No entanto, se existe um elemento que se reciclou, se moldou aos tempos apesar de conservar a essência, foi o machismo!
Todos os ingredientes continuam, inclusive, de forma mais sofisticada, a trazer os mesmos transtornos e a provocar as mesmas dores de anos e anos passados. Por mais absurdo que possa parecer, a ciência chegou a Lua, nascimento de "crianças em laboratório", o avanço da medicina e pesquisas com as células tronco, o surgimento de armas imobilizadoras que antes só eram possíveis em filmes de ficção, a obsolescência de de uma série de pensamentos que sustentaram as mais variadas utopias políticas; as regras de convivência e relações pessoais e interpessoais sofreram alterações inimagináveis há dez anos... Mas, o machismo é o mesmo apenas reciclou e formatou seus produtos, de modo a não perder nada de nada do seu fundamento e da sua essência. 
A truculência, o desrespeito a pessoa humana e o desenvolvimentos de outras e outras técnicas de pressão e tortura vem se configurando num desafio a humanidade; a coisa é simples: O CARA MACHO, OLHA A MULHER E VER UM MONTE DE CARNES APRECIÁVEIS. O sujeito não foi e não é educado para ver um ser humano que pensa, sente, tem fome, desejos, etc, etc, etc. Por mais perverso que este pensamento possa ser, ele é muito mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos! É uma das ideias subjacente e que dão suporte ao machismo. 
Estou aqui para discutir entre os vários absurdos que fazem parte do universo machista, violência sexista, e as várias formas de agressividade que são desenvolvidas e aprimoradas para fazer com que uma mulher sinta o PODER DO PREDADOR SOBRE SI, o animalesco e hediondo gesto da violência do estupro promovidos por elementos de uma banda de PAGODE DA BAHIA, http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/09/integrantes-da-new-hit-sao-indiciados-por-estupro-e-formacao-de-quadrilha.html  
Ainda assim, depois de dois meses, apenas dois meses presos, os violentadores estão soltos e as vítimas isoladas da sociedade, por estarem sofrendo ameaças! Os argumentos nunca mudam apesar de toda a evolução científica: - MAS, TAMBEM COMO É QUE UMA MENINA OU MULHER DIREITA IA USAR UMA ROUPA DAQUELAS??? A culpa neste caso foi da roupa que a mulher usou!!! - AGORA SIM... VEJAM SÓ, ELAS MESMO QUE PEDIRAM E ESTÃO SE FAZENDO DE VÍTIMAS! Neste caso, não houve violência, o que aconteceu foi que mulheres espertalhonas levaram os pobres inocentes ao pecado e ainda o condenaram por isto!
A campanha está nas redes e a mobilização contra o estimulo e a impunidade nestes crimes! Todo tipo de campanha positiva é válida, até mesmo o simples gesto de não comprar qualquer produto que faça vistas grossas a este tipo de violência fomentando esta cultura do desrespeito, da truculência e do abuso contra a mulher. No caso desta banda patrocinada pela Cervejaria NOVA SCHIN  se trata de um outro crime monstruoso que é a violência sexual contra criança e adolescente.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Câmara de Salvador terá oito vereadores milionários

DEU NO BAHIA NOTÍCIAS!

Oito milionários farão parte da próxima legislatura da Câmara Municipal de Salvador, segundo a coluna Tempo Presente, do jornal A Tarde. Fazem parte do grupo que declarou à Justiça Eleitoral bens superiores a R$ 1 milhão Edvaldo Brito (PTB), com R$ 5,5 milhões; José Trindade (PR), com R$ 4,43 milhões; Waldir Pires (PT), com R$ 2,92 milhões; Palhinha (PP), com R$ 1,62 milhão; Silvio Humberto (PSB), com R$ 1,214 milhão; Fabíola Mansur (PSB), com R$ 1,113 milhão; Alfredo Mangueira (PMDB), com R$ 1,124 milhão; e Euvaldo Jorge (PP), com R$ 1,066 milhão. Ainda de acordo com a publicação, outros seis vereadores estão em uma faixa entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. São eles Tiago Correia (PTN), com R$ 925 mil; Alberto Braga (PSC), com R$ 888 mil; Carballal (PT), com R$ 724 mil; Pedrinho Pepê (PMDB), com R$ 790 mil; Paulo Câmara (PSDB), com R$ 668 mil; e Everaldo Augusto (PCdoB), com R$ 509 mil.

http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/128447-camara-de-salvador-tera-oito-vereadores-milionarios.html


domingo, 23 de dezembro de 2012


Líderes maias lamentam que “mentiras” sobre fim do mundo desvirtuem “sentido dos ciclos do tempo”

AUTOR: MIGUEL MOREIRA
SEXTA-FEIRA, 21 DEZEMBRO 2012 14:06

Na Guatemala, as comunidades maias consideram que o mito do fim do mundo, no dia 21 de dezembro, “está a desvirtuar o verdadeiro sentido dos ciclos do tempo” do calendário. Os líderes dessas comunidades denunciaram às autoridades essas “mentiras”, bem como o “folclore” associado.
 Para os líderes das comunidades maias da Guatemala, existe um verdadeiro circo associado ao fim de ciclo do calendário maia, com a associação a um fim do mundo, neste dia 21 de dezembro.
 Felipe Gomez, Oxlajuj Ajpop, um dos líderes maias guatemaltecos, revela que as autoridades já receberam uma denúncia, pelo desvirtuar de factos históricos, sustentados em calendários que foram encontrados por arqueólogos.
 “Estamos totalmente contra as mentiras, as informações falsas, o folclore e o negócio que se montou”, lamenta Felipe Gomez, considerando que estes comportamentos “desvirtuam o verdadeiro sentido dos ciclos do tempo”.
 E o fenómeno atinge profundamente a Guatemala, já que cerca de 7,5 milhões de pessoas são membros de comunidades indígenas descendentes dos maias. Cerca de metade do total da população sente-se, segundo os líderes dessas comunidades, insultados.
 Hoje, 21 de dezembro, há uma mudança da era maia, chamada “oxlajuj Baak t'un”. Este facto implica “realizar mudanças profundas a nível pessoal, familiar e comunitário”, para atingir a “verdadeira harmonia e equilíbrio entre os seres humanos e a natureza”.
 Mas não são apenas os líderes maias que lutam contra esta teoria do fim do mundo. Erick Velásquez, historiador mexicano, realça que o calendário maia não é finito. Pelo contrário. O dia 21 de dezembro “não é o fim do calendário maia, que é um calendário infinito, mas o início de um novo ciclo”.
 O fim de ciclo do Calendário Maia, hoje, a 21 de dezembro, merece uma homenagem ao estilo da Google, com um doodle que retrata precisamente o calendário dos Maias. No Brasil, o motor de busca faz uma alusão ao dia em que termina o ciclo do Calendário Maya, dando início a um outro.

Fontes:


domingo, 25 de novembro de 2012


Florisvaldo Mattos
Sistema agrário


Meu canto gravado de um saber oculto de águas

esquecidas fabricarei no campo com suor

de rudes trabalhadores, na chuva sepultando-se

de búzios pontuais, lamentos e desgraças.

Forçosamente rústico caindo sobre troncos,

pelo ar, compacto de húmus e branco vinho caindo

sobre plantações. Sobre homens caindo. Não os sei

com metralhadoras e mortes pesadas flutuando

em suas mãos calosas de sonho e agricultura.

Senão com amargo clamor ao meio-dia, quando

com rijas ferraduras rubro sol golpeia-lhes

decisivo o tórax sombrio. De sangue a sua

permanência rural de árvore e vento.


Materiais e diários, continuamente os vejo

por frios vales e serras recolhendo incertezas

e dores unânimes, pontes que lhes pesam úmidas,

como rios perduráveis, sobre o rosto seguro (banhados

tão por cinzentos rios, girassóis destroçados

vigiando rebanhos e metais decadentes

revisando no tempo em sonora aliança), como

estranhas biografias e equipagens

de passados cavaleiros, em derrota.


Impossuídas colheitas vão durando,

como denso muro de sono cicatrizado

em seu corpo amanhecido sobre a terra, que

pensamentos cruéis e sombras apunhalam.

Meu canto fabricarei com lágrimas e suor

subterrâneo de músculos e ferramentas


Maduram no verde dos cacauais suas asas telúricas.

Nas semeaduras, sob tempestade, reside no solo

seu mecanismo de luta e existência

de incessante labor camponês. Agrário sempre.

Suas armas essenciais, sua geometria agreste

hão de impregnar-se necessárias de úmidas

paisagens agrícolas de horror precipitando-se

sobre homens em silêncio nas estradas pacíficas.

Eles que sonhavam com instrumentos longínquos

terão na cabeça, rugindo sempre uma voz de ameaça,

quando a seus pés um ruído grosso de sacrifícios

vai sua boca de amor sem pão revolucionando.

Fonte:

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA: REFLEXÃO RASTAFARI

POSTURA RASTAMEN!!

Dezembro, 2008

Saudações em Nome do Mais Alto JAH RASTAFARI que Vive e Reina por toda a eternidade do Alto do Monte Sião
No dia 12 de dezembro de 1960 O Rei dos reis, Haile Selassie I, desembarca com sua comitiva no Brasil.
Hoje, depois de quase 50 anos deste que Ras Tafari I esteve em visita diplomática por aqui, propomos uma reflexão sobre como seus ensinamentos são hoje tratados no Brasil.
Por todo o Brasil, de ponta a ponta, há homens que utilizam o nome de Sua Majestade Imperial (SMI) para os mais diversos fins e propósitos, não raro esses homens mancham o Seu Sagrado Nome sem nenhuma responsabilidade sobre as conseqüências dos seus atos.
Encontramos o Nome de SMI em sites comerciais, em nome de festas profanas, em letras de músicas bobas que passam por ‘reggae’, em camisetas e até cangas de praia, e aí vai. Nos shows de reggae o público profana com a boca o Seu Santo Nome com uma garrafa de cerveja em uma mão, um cigarro em outra e os olhos em alguma parte do corpo de alguma mulher mais próxima, sem nem mesmo saber o que significa a expressão “JAH RASTAFARI”.
É um profundo desrespeito que nós Rastas temos que conviver diariamente em função da desinformação e desinteresse do público do reggae com relação a Rastafari, como se fosse só mais um assunto de suas letras de músicas, que podia ser outro, como mulher, mar, sol.
Mas o que realmente causa preocupação não são essas pessoas que estão perdidas em meio às tentações e profanações da babilônia que vêem o Rasta como apenas mais um nome atrativo e lucrativo. O que é mais preocupante é a postura dos próprios Homens Rastas, daqueles que não só falam em Nome de SMI, mas se apropriam de Seu Nome como sua própria auto-identificação.
Antes de mais nada, queremos dizer aos homens que resolvem passar a se chamar de Rastafaris que tenham responsabilidade com o Nome que carregam. No momento que assumem esse Nome devem deixar para traz os comportamentos mundanos, os hábitos babiloucos, os apegos carnais, os vícios, etc. POSTURA RASTAMEN!
Para alguns homens, ser Rastafari é sinônimo de: cabelos dreads looks, o que não é a mesma coisa que ser um Homem Rasta, pois os dreads são apenas um dos componentes da fé, do movimento Rastafari, ter dreads não significa ter se tornado um Homem Rastafari.
O Homem Rastafari é um homem muito especial, tem uma percepção muito aguçada, enxerga além do que maioria vê, ele tem a beleza natural dada a ele por sua Mãe Omega e a inteligência e sabedoria de seu Pai Celestial. É muito talentoso, habilidoso, estudioso, forte, guerreiro, audacioso, e livre. Isso causa muita atração tanto de homens que querem andar com “o Rasta” como de mulheres que se sentem atraídas, na luxúria, pelo exótico rastaman.
Acontece, que muitos quando se deparam nessas situações acabam se deixando cair em tentação, se desviando do caminho reto e pecando na carne.
Não é raro os homens que enganam suas esposas, ou que mesmo levam uma vida promíscua.
Além disso, muitos ainda mantêm uma postura machista em seus relacionamentos tratando suas esposas com opressão e subjugando-as.
Em grande parte se reproduz os valores da sociedade branca racista e machista que diz que a mulher deve cuidar de afazeres domésticos e do cuidado das crianças deixando que os homens cuidem do resto.
No geral os homens são visto como o sexo “forte e dominante” (imposição da babilônia), o que leva geralmente, dentro desta sociedade imposta, os homens a desempenharem papeis como: machão, autoritário, mulherengo, precisam ter várias mulheres para serem vistos como verdadeiros homens.
Os homens são seres influenciados pelo meio em que vivem. O sistema capitalista com sua ideologia dominante que dita como os homens devem ser, o que eles devem defender, quais são seus valores e quais relacionamentos eles devem estabelecer com outros grupos.
Influenciados pelo sistema que a todo o instante dita comportamentos para os homens, comportamentos estes que têm sua base fundamentada nas relações de gênero.

“Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade (capitalista) para transformar o ser macho ou fêmea em homem ou mulher” (Lima Junior, 2001.p.1). “Nesse sentido, gênero é uma construção social. Já que para transformar um bebê em homem é preciso investimento social”.

Esses investimentos com certeza são bem diferentes dos propósitos que Rastafari tem para as vidas dos homens e das mulheres.
Ter uma postura de um homem Rasta é adentrar em um mundo de paz interna, paz com seu próximo e principalmente com a natureza. Pois quando Rastafari criou a terra ele deu para o homem (Rasta) a incumbência de dar nomes aos animais, as plantas e a todo o ser vivente da terra.

“Havendo, pois, Rastafari ter formado da terra, todo o animal do campo, e toda a ave do céu, os trouxeram a Adão, para este ver como lhes chamaria, e tudo o que Adão chamou, a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.” (Gênesis 2:19)

Fazendo hermenêutica de Gênesis 2:19 percebemos que o homem possuía uma certa harmonia com a natureza (harmonia esta que foi perdida depois da desobediência do homem).
Sua Majestade Imperial Haile Selassie I, descendente direto da dinastia Salomonica, tinha essa harmonia, pois segundo alguns estudiosos(as) da fé Rastafari, Sua Majestade Imperial Haile Selassie I, Rastafari tinha o hábito de falar com os animais (um exemplo de harmonia com a natureza).
Distantes da vivência natural, influenciados pelo contexto sócio-cultural em que se inserem, alguns homens que se dizem Rastafari têm posturas totalmente equivocadas principalmente com relação às suas companheiras (Rainhas), eles conseguem reproduzir toda a estrutura machista opressora imposta pelo sistema capitalista, o sistema babilônico, muitas vezes impedindo que elas acessem o estudo e a vivência Rasta e não participem de reuniões, celebrações e outros espaços.
A Mulher têm suas funções sim, e é muito importante que ela esteja presente na educação de seus filhos, no cuidado de seu lar, e da alimentação de sua família, mas de forma alguma isso é função somente dela, ou isso a impede de estar em outros espaços. E não podemos agir como na babilônia, onde os homens ‘ajudam’ suas esposas no trabalho doméstico e no cuidado da criança, pois essa noção de ‘ajudar’ somente reforça uma separação de funções baseada em uma educação ocidental, que não se baseia em uma ancestralidade africana. Para os ‘Rastas’ que assim tratam suas esposas, com traição, reclusão e calando suas vozes e ações, perguntamos onde vivenciam a Supremacia Preta em seus relacionamentos, pois, ao que nós parece, isso é apenas uma reprodução dos hábitos dos homens brancos.
Além disso, muitos desses homens, quando se deparam com Mulheres com poder sobre seus atos, autodeterminação, autoconhecimento, e entendimento do Exemplo de SMI Imperatriz Menen, não agüentam o Fogo das Leoas, tentam calá-las utilizando-se de estereótipos machistas, e tratam logo de afastar suas esposas mais ‘mansas’ pra não serem influenciadas.
Isso não é um problema entre Rastas somente no Brasil, veja o depoimento de um Irmão Rastafari das Ilhas Virgens:

“Freqüentemente é dito às filhas Rastafaris que a mulher não deve ser vista e nem ouvida, que o trabalho de mulher seria ter bebês e que ela deveria ficar omissa nas congregações. Como pode um homem clamar o amor de Haile Selassie I, e ainda negar à sua mulher, irmã, mãe, filha, princesa, ou rainha de glorificar Haile Selassie I, com palavra-som e Ises com sua própria boca? É hipócrita! Irmãos, Eu insisto aos Eu’s para assumir o controle da I irits com verdades e direitos. Eu&Eu deve eliminar a escravidão dos Eu&Eu lares onde a mulher é considerada uma propriedade do homem. Chega de usar e abusar física e mentalmente das irmãs. Em vez disso, Eu&Eu deveria encorajá-las a completarem-se no ensinamento de Haile Selassie I, a adquirirem conhecimentos e habilidades que seriam valiosos para ela e sua família, i.e., escola ou uma profissão. Irmãs não são encorajadas a congregar e refletir, entre si, para estudos bíblicos e concretização do seu caminho. Quando irmãs tornam-se sábias, conscientes, com entendimento, se opõem ao tratamento negativo que eles as dão, utilizando os ensinamentos de Haile Selassie I como a sua força. Alguns irmãos também temem que, quando suas irmãs se reunirem com outras mulheres Rastafaris, o comportamento imoral e injusto deles será exposto. Irmãos, se você fizer o bem só o bem será falado de Eu. Lembrem-se, nunca é demasiado cedo ou tarde para um banho de chuva. Nunca é demasiado tarde para mudar.” (trecho de “Um Lugar para Mulher Rastafari” - por Ras Abede – extraído de “EU&EU Realidade Rasta - Especial Mulher RastafarI”)

Mas a grande especificidade que nos causa preocupação aqui no Brasil, é que essa postura vã desses supostos Rastas acaba afastando muitas mulheres da vivência, achando que a postura desses homens tem algo a ver com a real postura do Homem Rasta, ou que a posição imposta por eles para às mulheres tem algo a ver com a real posição da Mulher Rastafari, das Rainhas Pretas na vivência Eu&Eu.
É por isso que temos tão poucas famílias e comunidades Rastas no Brasil, mesmo depois de aproximadamente 30 anos de Movimento Rasta no país e meio século da visita de SMI Haile Selassie.
Sua Majestade Imperial I deu vários exemplos de como deve ser restaurada a harmonia que os homens perderam em relação às mulheres. Um dos exemplos foi quando Sua Majestade Imperial Haile Selassie I foi coroado Imperador da Etiópia em 1930, juntamente com ele a Imperatriz Menen também foi coroada, quebrando toda uma estrutura estabelecida pela babilônia, em relação a nós mulheres.
Segundo os critérios da Babilônia quando um homem se torna presidente de um País, governador de um Estado ou prefeito de um Município, a sua companheira (esposa) se torna ‘primeira dama’. Para Rastafari nós mulheres somos mais que primeiras damas.
Nossa crítica se torna relevante quando percebemos dentro do movimento Rastafari no Brasil a falta de diálogo e companheirismo no meio dos casais, pois partindo principalmente dos homens, sendo eles atingidos pelos os propósitos da babilônia em relação às suas companheiras; quando impõem comportamentos, ditam regras dizendo como a mulher tem que se comportar, se colocando em alguns casos como donos (como se essas mulheres fossem propriedades deles).
Como se nós mulheres não fossemos portadoras de uma sabedoria que vem do alto (Selah), como se nós mulheres fossemos incapazes de tomar certas decisões, como se nós mulheres fossemos seres descartáveis, sempre tendo outra para ser colocada no lugar caso não correspondam a suas expectativas. Expectativas essas que ás vezes não são bem definidas nas cabeças deles.
Gostaríamos de dizer a esses homens que atentem-se para suas atitudes, e lembrem-se que JAH tudo vê, e que sempre há tempo de se arrepender e começar a tratar suas esposas e Irmãs de forma mais digna e respeitosa.
Para as mulheres que estão na busca de RastafarI, ou mesmo para aquelas que encontram barreiras em se aproximar em função de tudo já referido, que a verdadeira posição da Mulher em Rastafari é como Rainha Mãe da Criação, que dá vida, rege e harmoniza todas as coisas, ela dá a sustentabilidade, a instrução e o exemplo da retitude, ela ampara e traz luz para seus Irmãos, filhos e esposo, ela tem um papel fundamental na vivência. A Mulher Rasta não é limitada ou oprimida, ao contrário, ela é a única possibilidade real de libertação, pois está conectada diretamente com sua essência Omega na Mãe Terrena, ela sabe quem é, de onde veio e para onde vai. Valoriza sua beleza natural independente de indústrias de moda cosméticos, consumismo e alteração do corpo. Ela não depende de nenhuma droga para viver, só se alimenta da vida, é uma Mulher Sagrada e purificada, renascida no Amor Incondicional do Cristo Vivo.
Por isso Irmãos e Irmãs, não se deixem confundir com as ilusões que a babilônia traz todos os dias a respeito de RastafarI. Quando quiserem realmente saber o que é um Homem e uma Mulher no real exemplo, olhem para o Exemplo absoluto, o Casal Imperial, Rei Alpha Rainha Omega, Haile Selassie I e Imperatriz Menen, que no perfeito equilíbrio reinam para todo sempre nos corações de EU&EU, e nas vidas daqueles que seguem o Seu exemplo em todos os aspectos, plenamente.
Não queremos aqui estar isentando alguns erros que nós mulheres possamos cometer. Mas precisamos abrir um diálogo mais profundo no meio do movimento Rastafari para discutirmos essas questões, sem problemas, com nossos corações abertos para mudanças, se assim for necessário, pois quando não discutimos alguns assuntos que são pertinentes, eles se tornam naturais no meio de nós, é o caso da questão das mulheres, que já se tornou natural alguns comportamentos em relação a nós dentro do movimento Rastafari.
Selah!
Haile Selassie é o caminho. Imperatriz Menen, o exemplo.
Contatos:
Sista Dina Lopes - dinarasta@hotmail.com
Sista Luísa Benjamim – luisabenjamim@gmail.com


“Sua relação com Imperatriz Manen é algo que mostra seu simples e inabalável caráter. Ele casou com ela vinte anos antes de iniciar sua batalha pelo trono e nunca teve razão para arrepender-se de suas escolhas. Ela foi uma leal companheira de incontáveis maneiras, de que o mundo exterior pouco conhece, e isso é talvez mais para seu mérito de que, onde ela não pode ajudar, ela não tem dificultado...
O Imperador mostra por ela grande respeito, e, através de Seu tratamento atencioso por Sua esposa e alto padrão moral, tem dado um exemplo para Seu povo. Mesmo aqueles que gostam muito pouco de SMI não podem ter motivos para críticas em Sua vida conjugal. Em meio a tantos assuntos urgentes, Haile Selassie sempre daria prioridade a uma carta de Sua esposa e Ele se ocuparia com seus pedidos com generosidade e atenção meticulosa aos detalhes...
Era claro que o afeto entre o Imperador e Sua esposa tinha permanecido sem reduções.”
(trecho de “A Relação do Imperador Haile Selassie com A Imperatriz Menen - Por Princesa Asfa Yilma (em 1931), extraído de “EU&EU Realidade Rasta Especial Mulher RastafarI”)


“Durante os dias memoráveis de nosso companheirismo nunca tivemos diferenças que precisassem da intervenção de outros. Como Sarah foi para Abraham, assim foi ela para mim. Nossos desejos foram mútuos até que o Todo Poderoso nos separou. Sua ajuda pelo bem-estar do jovem, do ancião e do necessitado não requer testemunhos, pois foi maior que qualquer pensamento ou palavra. Nós fomos extremamente felizes por vivermos tempo suficiente na perfeita união, o que nos habilitou para vermos nossa descendência, nossos netos e nossos bisnetos. Nós estamos muito agradecidos ao Todo Poderoso por ter nos concedido essa longa e ininterrupta união, a qual não é muito comum nos dias de hoje. Hoje não poderia haver melhor oração para dizer.” (trecho do discurso de SMI Haile Selassie I na passagem de Imperatriz Menen)






REFERENCIA:
                                                                              

sábado, 3 de novembro de 2012

20 de Novembro - Valeu Zumbi! A luta continua

http://artesurama.blogspot.com.br/

Este mês de novembro é marcado pela simbologia da luta do povo negro neste país, assinalado no 20 de novembro quando é celebrado a imortalidade de Zumbi; se trata de uma luta que não faltam nomes, histórias, personagens e, que acima de tudo, tem sido construída gradativamente nos vários espaços em que homens e mulheres negras, desde que aqui chegaram na condição de escravos vencidos de guerra, em sua luta cotidiana por sobrevivência, com personalidade e sem abrir mão de princípios que consideram estratégicos a sua identidade, construindo assim, alternativas, oportunidades  e novos caminhos para que a sua gente que fosse chegando tivesse condições de trilhar com mais firmeza e segurança.
http://artesurama.blogspot.com.br/
Mas eu quero dedicar minha atenção especial, meu carinho as anônimas guerreiras do nosso dia a dia! Àquelas muitas mulheres que encontraram no suicídio em auto-mar, ainda na travessia, uma alternativa de vida! Mulheres que por lá ficaram e tiveram que a partir de suas habilidades, das suas vivências e sabedoria reconstruírem um novo mundo; ou não permitir que o seu fosse devastado por inteiro – hoje, este povo tem uma terra para brigar! Mulheres que assumiram a responsabilidade de transmitir o saber e se transformaram em guardiães das tradições do seu povo.
"... Por entre águas turbulentas
e ventos desconhecidos
Há uma esperança ardente
de alcançar a imensidão do mar"
Julia C. de Mello
http://artesurama.blogspot.com.br/
É nesta resistência diacrônica que encontro estas mulheres nas AFRICANAS que Surama Caggiano nos apresenta! Sempre presente, sem abrir mão do direito de ser mãe, quer fosse às observações do cotidiano, ou na labuta doméstica... Mulheres que com coerência e personalidade na condição de ganhadeiras preservaram muito do que hoje conhecemos em idioma dos antepassados, independente da nação, através de iguarias e demais estratégias de sobrevivência numa sociedade em que o seu caráter escravagista evoluiu com o avançar da luta anti-racista; Dandara's na luta para que direitos à cidadania sejam respeitados, e por uma identidade nacional no país em que os braços de pretos e originários da terra foram fundamentais na construção e consolidação.
Dia Nacional da Consciência Negra é um momento estratégico para refletirmos o conjunto de relações que estabelecemos com elas... Quer seja como companheiros, como amigos, como irmãos, ou na condição de colegas etc. O homem negro tem sido implacável! Vestido de sua armadura etnocêntrica desfere seu olhar em tom sarcástico e tão perverso quanto o olhar dos brancos em inúmeras exigências para que esta demonstre a ele – e neste caso, algumas mulheres negras também; a exigência que cumpram as normas e regras formatadas para o que vem a ser mulher negra! É como se quem estiver fora deste padrão, não é vitima e não sabe o que é preconceito...  
Muitas questões precisam ser fortemente discutidas e melhor entendidas pro nós mesmo! De certo, que as nossas relações precisam crescer e melhorar respeitando a maneira do semelhante se sentir bem em suas relações pessoais , interpessoais e com a vida.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES EM SALVADOR 2012






Chegamos à reta final da campanha para prefeito, com a possibilidade de ACM Neto ser eleito prefeito de Salvador! O PT trouxe o Jim Crow batizado de Pé de Pranta... Foi uma campanha com várias intervenções desesperadas tipo: LEVANTE CONTRA ACM NETO, QUEM É POVÃO VOTA 13, e até um medidor de corrupção para provar quem era mais corrupto e consequentemente o menos confiável para ter o voto.






E o que sempre se questionou com vigor nas ruas, no caso doméstico e virou canto de uma geração foi: 1, 2, 3 ACM NO XADREZ...
Antonio Carlos Magalhães: O rei da Bahia
Um dos políticos mais polêmicos da História recente do Brasil, Antonio Carlos Magalhães foi deputado federal, prefeito de Salvador, governador da Bahia por três vezes e senador. Intempestivo, tratava com regalias seus partidários e com truculência os opositores. Por essas e outras, o baiano ganhou o apelido de Toninho Malvadeza.

O PT chega ao governo da Bahia com a responsabilidade histórica de mostrar outro modo de governar, de lidar com o poder publico... É preciso considerar que houve uma tentativa do povo em mudar e depositou com esperança e um otimismo extraordinário o voto em Waldir Pires, e este foi um fiasco; apenas perseguiu funcionários públicos, deu fim ao esperado plano de cargos e salários e no meio do governo fugiu – abandonou para ser vice de Ulisses Guimarães numa campanha para presidente que ele sabia que não iria a frente.
E o povo volta a estaca zero; e começa a aceitar a volta do ACM que veio com o discurso de que “estava faltando homem...”  O poder e influencia de ACM vai se revezando e alternando entre Cezar Borges e Paulo Souto até 2006 quando Jaques Wagner ganha as eleições ainda no primeiro turno para Paulo Souto.
Sepultar ACM não era enterrá-lo como viria a acontecer mais tarde, e muito menos condenar o seu nome... O PT e coligados foram incapazes de perceber que havia um fazer político, um modo de ser e de olhar a coisa pública que se constituía no carlismo. Que tinha como elemento de sedimentação: O Mandonismo! “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei...”
Desde o primeiro mandato do Presidente Lula que alguns militantes começaram a ir sendo alocados nas esferas do poder; estes por sua vez, atrelando os organismos e/ou entidades – com a vitória de Jaques Wagner muitas entidades ficaram abandonadas e se instalava um processo invisível de cooptação! O inchaço foi instantâneo... E isto provocou o silêncio de várias categorias e segmentos; e qualquer crítica e/ou chamada a reflexão era coisa de “viúva do carlismo”. E observem que estamos falando de um governo de coalizão com setores altamente reacionários!
Nos cargos das diversas secretarias, simpatizantes ligados de uma forma ou de outra ao partido ou a alguém próximo – pessoas dotadas de truculência e arrogância estarrecedoras! Perseguindo, machucando e desenvolvendo toda forma de assedio moral para conter as pessoas. As entidades, atreladas e silenciadas; a relação com educação é a pior possível! Falta capacidade de dialogar politicamente nas relações mais elementares nos órgãos públicos. E o povo calado! Esperando uma auto-crítica e que o governo fosse capaz de rever a linha política adotada.
E uma estratégia perigosa e danosa ao serviço público é adotada como política de governo: PST, Programa de Serviço Temporário e terceirização do serviço público, além do REDA –Regime Especial de Direito Administrativo. Funcionários que vivem com o trabalho na corda-bamba, exceto o REDA que tem concurso, nos outros casos é o drible perfeito na constituição, funciona através do quem indicou??? A renovação do cabresto e a retomada do apadrinhamento – ou seja, o governo começa a dar início a construção de um novo estado com o mesmo conteúdo.
O governador Jaques Wagner (PT) defendeu o projeto de lei em tramitação na Asssembleia Legislativa que cria limites para realização de consultas e emergências no Planserv, em entrevista ao programa Acorda Pra Vida, da Rede Tudo FM 102,5. A matéria, de autoria do próprio Estado, define que cada cliente do plano de saúde poderá realizar, a cada ano, apenas seis consultas médicas e cinco atendimentos de emergência. Segundo Wagner, a medida tem por fim acabar com a “indústria de exames” que existiria em clinicas do estado, que, segundo o petista, consiste na requisição de exames desnecessários. “Há pessoas que não tem direito, que não são familiares dos credenciados, que vão lá e são atendidas. A partir de agora se aparecer um excesso dos exames, tem que haver o pagamento do usuário”, afirmou. O governador salienta que o projeto de lei foi elabora por equipes técnicas que “acompanham o Planserv há 5 anos e sabem verificar a média de uso do servidores”, mas admite que “se a gente constatar que na prática (a medida) se torna ineficiente a gente pode alterar”.

Como se não bastasse a negação do governo a URV, o governador declarou guerra a toda a estrutura de relações sociais que mantém um funcionário! Por conta de uma possível minoria, ele penalizou a todos... Ou seja, o antigo IAPSEB tinha uma estrutura que não deixa nada a dever ao PLANSERV; sem contar que tinha atendimento odontológico! Coisa que hoje quem quiser, tem que pagar por fora.
http://www.revistafilosofia.com.br/eslh/Edicoes/18/imprime130592.asp
O estopim foram as greves da PM e dos professores neste ano! Da greve explodiram as dores e mágoas que as pessoas vinham guardando...  No movimento dos professores a categoria ainda seria surpreendida pela movimentação dúbia e, as vezes, tendenciosa ao governo; as pessoas começaram a se constituir execrando qualquer tipo de referencia de liderança – no caso da PM, foi resgatar quem pudesse simbolizar uma oposição ao governo, e no caso dos professores, que seus candidatos e sua base esta ligada aos partidos de esquerda, a tendência foi transformar em ódio e raiva o sentimento de impotência.
É assim que o candidato ACM Neto com sua herança social colonizadora chega às eleições com perspectivas reais de vencer a prefeitura de Salvador! Situação política delicada e que o povo enquanto povo, a turba procura algo que possa se identificar ou aparentar ser mais próximo! Neste momento entra outro erro de leitura do PT em relação ao processo eleitoral: Tem uma nova geração de eleitores que não conheceu o Senador ACM! Tem uma geração formada no período do anti-comunismo que faz questão de ser anti-petista. Que na verdade era LULA e ACM; ACM morreu e LULA vive às voltas com o bombardeio da mídia!Que falem as urnas com a sua linguagem de tecnologia, que eu não conheço e olho como uma criança desconfiada!

sábado, 13 de outubro de 2012

UM REPÓRTER AMEAÇADO DE MORTE

ELIANE BRUM - 08/10/2012 10h42 -

André Caramante, um dos mais respeitados jornalistas brasileiros na área da segurança pública, foi obrigado a mudar de país e esconder-se. Em entrevista, ele conta o que a situação de exceção vivida por ele e por sua família revela sobre a intrincada relação entre poder e violência
ELIANE BRUM

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)
Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família.  
O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo”.
O que isso significa? 
Os 13 anos em que André Caramante cobre a área de segurança pública são marcados pela denúncia séria, resultado de apuração rigorosa, dos abusos cometidos por parte da polícia no estado de São Paulo. A relevância do seu trabalho foi reconhecida duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais. Mantém sua própria planilha na qual registra os mortos pela polícia. E faz a denúncia sistemática da figura amplamente difundida da “resistência à prisão” como justificativa para execução, em geral dos suspeitos mais pobres. Por sua competência, Caramante ganhou o respeito da sociedade interessada em uma polícia eficiente, com atuação pautada pelo cumprimento da lei – e o ódio de uma minoria truculenta, os maus policiais, tanto militares quanto civis, e daqueles cujos interesses e projeto de poder estão ligados a eles.
Antes de ser jornalista, Caramante quis ser jogador de futebol. Morador da periferia de São Paulo, comprou a primeira chuteira vendendo papelão. Era “um meia-direita dedicado”, na sua própria avaliação, e usou a chuteira com brio nas peladas de várzea e nas peneiras na Portuguesa, no Novorizontino e no Palmeiras, clubes nos quais chegou a treinar nas categorias de base. A necessidade de ajudar com as despesas da casa o despachou para a arquibancada. Em especial a da Vila Belmiro, por um amor incondicional pelo Santos herdado do pai. 
Aos 11 anos, Caramante começou a trabalhar como camelô, vendendo chocolates e sacolas no Brás, em São Paulo. Mais tarde, aos 17, o estudante de escola pública pagou a faculdade de jornalismo da Uniban com o salário de office-boy e com os vales-transporte que economizava fazendo o serviço a pé. “Não sabia se a faculdade era boa ou ruim, não entendia dessas coisas, apenas sabia o que queria fazer”, conta. “O livro Rota 66, de Caco Barcellos, tinha me mostrado o que era jornalismo.” 
Em seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record), Caco Barcellos, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, hoje na TV Globo, investigou o trabalho da Rota entre as décadas de 1970 e 1990. E provou que ela atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. Duas décadas depois do lançamento do livro que o inspirou, Caramante vive uma situação semelhante.
A notícia de que ele estava vivendo escondido, com a família, vazou na semana passada, em matéria da Revista Imprensa. Até então, Caramante pretendia manter o fato em sigilo. A decisão de esconder-se com a família foi difícil para o repórter que nunca quis virar notícia – e que sempre evitou ser fotografado. Enquanto era alvo único das ameaças de morte, Caramante manteve uma rotina normal. O jornalista só aceitou se mudar para um destino secreto quando sua família passou a ser ameaçada. Mesmo assim, para ele é ponto de honra seguir com seu trabalho de reportagem. Pela internet, envia informações ao jornal com frequência. E segue assinando matérias na área da segurança pública.
Quando um repórter é obrigado a mudar de país e se esconder com a família por fazer bem o seu trabalho e prestar um serviço à população, ao fiscalizar os órgãos de segurança pública, este não é um problema só dele – mas da imprensa, que tem o dever de informar, e da sociedade, que tem o direito de ser informada. É disso que se trata. 
Na entrevista a seguir, feita por email entre sexta-feira e domingo, André Caramante, 34 anos, fala sobre a situação de exceção que ele e sua família estão vivendo, mas principalmente sobre as complexas relaçõesentre violência e poder que a tornaram possível.
Em 14 de julho, você publicou na Folha de S.Paulo uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. Você se referia ao coronel reformado Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, que comandou a Rota, em São Paulo, até novembro de 2011, e, nestas eleições, disputou uma vaga para vereador pelo PSDB. O que aconteceu a partir desta matéria que o levou a, dois meses depois, ter de esconder-se com a família?
André Caramante -
 Cubro segurança pública há 13 anos, então, muito dessa situação não é exatamente novidade. Nestes 13 anos, sempre mantive minha lupa sobre os abusos cometidos por policiais, especialmente no que diz respeito à letalidade. Considero legítimo que a sociedade possa fiscalizar o Estado, especialmente seu braço armado. Não podemos considerar eficiente uma polícia que mata tanto quanto a do estado de São Paulo. Entre 2006 e 2010, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. A cultura da nossa polícia militarizada permite que se mate sem que se conheça sequer a identidade do "oponente". É tão normal e aceitável quanto utilizar uma figura jurídica inexistente para preencher o boletim de ocorrência – a "resistência (à prisão) seguida de morte". A morte do empresário Ricardo de Aquino por policiais militares no bairro Alto de Pinheiros (em São Paulo) colocou a questão na agenda da mídia e das autoridades alguns meses atrás. Como ele, vários outros foram vítimas dessa cultura e do mau treinamento. É óbvio que alguns policiais agem na ilegalidade e a maioria age dentro da lei. Também faço um trabalho consistente de denúncia de grupos de extermínio formados por policiais militares e civis e ex-policiais civis e militares, tendo revelado ao menos sete deles. São grupos que, ao exemplo das milícias do Rio, tentam controlar as atividades ilícitas na cidade – máquinas caça-níquel e tráfico de drogas, às vezes cruzando o caminho do PCC – e geram mortes. Há grupos bem estruturados e com braços de inteligência. Um deles, inclusive, planejou a morte de um integrante do alto escalão do governo paulista, sem que tenha conseguido levar a cabo a ação.Meu trabalho de denúncia também abrange a corrupção na Polícia Civil. Hoje, as coisas se dividem mais ou menos assim no Estado de São Paulo: alguns integrantes da PM cometem violência e alguns da Civil escorregam na corrupção. São questões totalmente relacionadas a poder e dinheiro. Em dezembro do ano passado, publicamos uma investigação da Polícia Federal que mostrava policiais civis cobrando grandes valores para liberar da prisão suspeitos de tráfico de drogas. Somadas, as propinas chegavam a R$ 3 milhões. É uma conduta isolada? Esquemas assim não surgem do nada. É da cultura da instituição, e são as pessoas que constroem a cultura organizacional. Mudar não é uma questão de ser fácil ou difícil, mas de não ser interessante para as pessoas que estão lá.
Você vem denunciando essa situação há bastante tempo, mas só agora teve de esconder-secom sua família por causa de ameaças de morte. O que aconteceu?
Caramante – 
O que houve foi não digo o surgimento, mas a publicidade e o crescimento exponencial de um clima favorável à intimidação, no qual pessoas sentiram-se à vontade, ou mesmo incitadas, a disseminar "avisos". A partir da matéria sobre o que estava acontecendo no Facebook houve um acirramento dos ânimos de quem antes já me via como inimigo, além do crescimento quantitativo dos que mantêm os olhos em mim e no meu trabalho de uma forma negativa.Houve uma onda de comentários no Facebook, no Twitter, em blogs e no site da Folha que foram desde "péssimo repórter" até "bala nele". Era só "ativismo de sofá", de gente que só despeja frases no teclado do computador? Provavelmente.Depois, alertas de caráter dúbio – "Quando acontecer algo com alguém da sua família...", "Quando você for sequestrado..." – surgiam nos espaços de comentários do site da Folha em qualquer reportagem que eu escrevesse e até naquelas em que não tive participação, mas que traziam denúncias contra membros das polícias. Também orquestraram o envio de diversas cartas contra mim, enquanto profissional, para a Folha.Após pouco mais de um mês de bombardeio digital, as ameaças tornaram-se mais concretas, com fatos atualmente sob investigação das autoridades competentes.  
Que fatos são estes?
Caramante – 
Não falo de um fato, mas de uma série, que se iniciou dias após aquela onda nas redes sociais. Foram ligações, comprovações por fontes altamente confiáveis,de que estavam levantando informações de familiares, motos em trajetos curiosamente iguais aos meus. Não acho possível dimensionar a gravidade do risco, e também chegou-se a um ponto em que não valia mais a pena ficar avaliando. Decidi ouvir gente mais experiente do que eu e, em conjunto com o jornal, foi tomada uma decisão: trabalho à distância.
Não estou fisicamente na redação desde o início de setembro, sem que tenha saído da ativa. Esta é uma situação em que o risco físico toma a cena, mas certamente ele não é o único. Venham de onde vierem, a ameaça e a intimidação têm o objetivo de desestabilizar, tirar de cena. Jogam com o risco psicológico também, testam quão boa é a sua cabeça e quão forte é a sua corrente.
Qual é o papel do Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, nesta série de ameaças?
Caramante –
 Em sua página, o coronel reformado começou a divulgar relatos de confrontos entre PMs da Rota e civis – estes sempre chamados de "vagabundos” –, além de divulgar fotos de pessoas que, segundo ele, eram suspeitos de crimes. Fiz um texto objetivo, relativamente curto, sobre isso. No dia da publicação no jornal, 14 de julho, ele postou no Facebook uma mensagem na qual me acusava de "defender abertamente o crime" e pedia uma mobilização contra mim. A conduta desse senhor deflagrou uma onda de tentativas de intimidação, de incitação à violência contra um jornalista – um profissional que apenas retratou o que o próprio coronel reformado registrou publicamente na rede social. Não estou dizendo que ele quis ou que ele não quis incitar atos violentos. Estou dizendo que acabou incitando.
Quem efetivamente está ameaçando você? E quais foram as ameaças?
Caramante –
 De onde vejo, apontar um ou outro possível autor pode dar grande margem a erro. Tenho minhas suspeitas, mas não cometeria o equívoco de acusar sem provas. Creio que haja dois tipos de ameaça. A primeira se aproxima do "ativismo de sofá", de quem escreve no computador algo que jamais cumprirá. Os autores deste tipo de ameaça não são tão desconhecidos assim, e não é tão difícil encontrá-los nos canais digitais. A segunda, esta sim grave, é a ameaça de quem considera a possibilidade de agir. Aqui estão desde admiradores de policiais alvos de reportagens, pessoas que pouco têm a perder e vivem com parâmetros de raciocínio e moral diferentes dos nossos, até outros que há tempos me têm como um inimigo e podem aproveitar justamente esta visibilidade do caso do Facebook para tentar algo e "colocar na conta" de outro. O caso do Facebook, além de ser apenas uma parte da história, pode ser usado por outros para acobertar eventuais retaliações. Mas, veja, isto é o que eu deduzo com base na minha experiência, não há qualquer base de pesquisa ou de investigação científica.
O que você está dizendo é que pessoas que se ressentem há muito tempo com suas denúncias de abusos cometidos pela polícia estariam se aproveitando do caso do Facebook para se vingar e desviar a responsabilidade para o Coronel Telhada?
Caramante – 
Sim, é uma possibilidade.
Quando as primeiras ameaças se tornaram públicas, você disse que continuaria a fazer o seu trabalho. Imagino que deve ter sido difícil tomar a decisão de se afastar da redação. Como esta decisão foi tomada?
Caramante – 
É importante esclarecer que o termo "afastamento" não é apropriado para o meu caso. Continuo exercendo minhas atividades profissionais, onde quer que eu esteja. Não estar fisicamente na redação me causa impedimentos que são irrisórios frente à necessidade atual de garantia da integridade, minha e da minha família.
Quando você deixou de trabalhar na redação?
Caramante – 
Desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei completamente minha rotina e minha localização.
Foi difícil?
Caramante –
 Sou trabalhador desde os 11 anos e não tenho dúvidas quanto à profissão que escolhi. A decisão de estar fisicamente ausente da redação não foi nada fácil. Particularmente, via este passo como um sinal de recuo, um erro do ponto de vista do meu ideal e mesmo de estratégia em relação a quem tenta enfraquecer o trabalho da imprensa. O que fizemos, então, foi arquitetar uma ausência que fosse apenas física, com uma operação que permitisse que seguíssemos em frente. Existem inúmeras maneiras de fazer reportagem.
Qual foi a reação da sua família e como eles estão vivendo esse momento?
Caramante –
 Estão todos cientes e bastante atentos. Não é fácil estar ausente, mas não creio que seria muito melhor estar presente e vivendo com sombras. Meus filhos percebem a situação incomum que vivem atualmente, mas ignoram essa história toda. Felizmente, eles sentem-se seguros onde pai e mãe estão – não importa onde. Minha rede familiar está permeada pelo estresse, mas ela é muito forte. Sempre foi, desde muito antes de toda essa situação. Além disso, a corrente formada por colegas de profissão e entidades daqui e de fora também deixou claro que este não é um problema só meu. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras, Knight Center of Journalism (vinculado à Universidade do Texas), Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Instituto Sou da Paz, coletivo Sindicato É Pra Lutar e movimento independente Mães de Maio se manifestaram publicamente em apoio à minha atuação e ao direito de informar. 
É isso que está em jogo, o direito de informar?
Caramante –
 É uma questão ligada ao direito de informar e de ser informado, e meus companheiros de profissão sabem do que falo. Há, atualmente, no estado de São Paulo, uma grande preocupação por parte de autoridades da segurança pública de tentar evitar que muitos fatos sejam tornados públicos pela imprensa. Por conta disso, funcionários públicos que as autoridades acreditam manter contato com jornalistas passam a ser alvo de perseguição nas instituições às quais pertencem. Muitas vezes, essas perseguições são feitas com base apenas no "achismo". 
Que fatos são estes, que as autoridades da segurança pública não querem que se tornem públicos?
Caramante –
 Qualquer dado que não conste do relatório oficial publicado mensalmente no site da secretaria. Não é exagero. Falo de qualquer dado mesmo. Basta perguntar a quem cobre a área. Não é de hoje. Sempre foi assim. No estado de São Paulo, jornalistas são impedidos de consultar boletins de ocorrência, um documento público. Tudo – absolutamente tudo – tem de passar pelas canetas das assessorias de imprensa da Secretaria e da Polícia Militar. É uma operação extremamente centralizada e que visa impedir o repórter de ir a uma delegacia e obter informações sobre uma ocorrência.
Por quê?
Caramante –
 Vejo como uma tentativa de construir uma realidade que não existe aqui, como se vivêssemos na Suécia. A proibição do acesso a boletins de ocorrência integra uma estratégia de forte controle de informações. "Só sai o que eu quero." Não importa a relevância do dado, esta é a diretriz. Delegados só dão entrevistas mediante autorização de assessores de imprensa. É meio estranho que uma autoridade seja submetida a esse tipo de imposição para tentar controlar a informação. 
Esta foi a primeira vez que você foi ameaçado de morte?
Caramante – 
Não. Como vários outros colegas, já passei por situações semelhantes. Ouvi pelo telefone frases como "Cuidado, muita gente morre em assalto por aí", seguida por meu endereço completo. Tempos atrás, policiais à paisana fotografaram minha família durante um passeio.
Você costuma denunciar os abusos cometidos pela polícia, especialmente contra os moradores das periferias de São Paulo e da Grande São Paulo. Você se considera, hoje, nesta situação, uma vítima da polícia?
Caramante –
 Não me considero vítima de nada. Tenho plena consciência de que não posso e não quero ser notícia. Sou contratado por um jornal para contar as histórias das outras pessoas, para fiscalizar um determinado segmento do poder público. E a minha preocupação é sempre esta: contar a história do próximo, registrar os fatos, levar a notícia para quem lê a Folha de S.Paulo. As páginas de um jornal marcam a história de um país. Eu sou uma peça dessa engrenagem que imprime a história no papel do jornal. A exposição desses últimos fatos me trouxe tristeza porque não é o que busco como repórter. Aí vão perguntar: “E por que você está dando entrevista?”. Estou dando entrevista porque, do muito que foi dito sobre a minha pessoa, pouco foi dito por mim. Porque quero esclarecer que não estou "afastado". Afastamento dá a ideia de punição, de suspensão, e nunca houve nada nesse sentido da parte do jornal. Pelo contrário: sanamos a demanda urgente relativa à garantia da integridade e ao mesmo tempo planejamos a continuidade do trabalho. E mais: não existe isso de perseguir a Polícia Militar ou a Polícia Civil com meu trabalho. O que penso é que ninguém quer ter nessas instituições pessoas que não façam jus à condição de representantes do Estado.
Já entrevistei muitas pessoas ameaçadas de morte, algumas delas ameaçadas de morte por policiais, de diferentes estados. Minha percepçãoé de que estas últimas sentem um nível de desamparo maior, na medida em que, se aqueles que deveriam protegê-las, em vez disso ameaçam a sua vida, para quem então pedem ajuda? Sem contar que membros da polícia, por disporem do aparato do Estado, têm meios para comprometer a credibilidade da vítima, “plantando” falsas provas. Como você percebe isso?
Caramante – 
Quando você tem indicativos de que alguns dos representantes armados do Estado querem te desestabilizar, com certeza, a reflexão é sempre essa: para quem recorrer, como agir? Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam desmoralizar seu trabalho e sua conduta fora do campo profissional, mas tenho tentado me manter centrado. Converso com repórteres amigos para dividir alguns pensamentos e pensar em maneiras de me manter firme na caminhada.
Por que o estão ameaçando? Que “ameaça” você representa para que ameacem a sua vida? E por que agora, neste momento?
Caramante – 
Como te falei, não é de agora. É uma coisa que ficou mais acentuada. Pode ser que tenha alguma relação com o período eleitoral ou com outros interesses que ainda não consigo afirmar quais são. Um deles, por exemplo, pode ser a necessidade que muitos têm de manter o poder ou de chegar até o poder. 
Quem? Pode explicar melhor?
Caramante –
 Não posso nomeá-los, pois aí já entraremos em informações referentes aos bastidores das polícias, e esses meandros estão muito ligados às minhas fontes e às minhas apurações. Hoje, em São Paulo, a questão da polícia vai além dos muros dessas instituições. A cidade nunca esteve, em período democrático, tão militarizada. Trinta das 31 subprefeituras ganharam comando de PMs da reserva na gestão Kassab. Com a criação da operação delegada, os policiais militares hoje atuam oficialmente não apenas para a corporação, mas também para a prefeitura – é o bico legalizado. Vemos então que as frentes de poder estão crescendo, e há muita gente na disputa. Sem contar os cargos na Câmara Municipal.
Por que isso está acontecendo? Por que, por exemplo, 30 das 31 subprefeituras de São Paulo ganharam comando de PMs da reserva nesta gestão?Como você caracterizaria esse projeto de poder?
Caramante –
 Esse processo ganhou corpo quando o coronel (agora reformado) da PM Álvaro Batista Camilo, também candidato a vereador, pelo PSD, se aproximou do prefeito Kassab, na época em que era comandante-geral da PM. Como é sabido, Kassab vem marcando sua gestão com uma postura de cerceamento. Já são notórias as tentativas de proibição de sopões a moradores de rua, de saraus na periferia, da feira da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, e outras mais.
O que o fato de um repórter de um dos maiores jornais do país ser ameaçado de morte revela sobre a violência no estado de São Paulo?
Caramante –
 É uma questão que não diz respeito somente à violência. Esta é a parte tangível de todo o contexto que citei anteriormente. A relação polícia X poder é atualmente um ponto muito importante. Desde a abertura política, talvez seja este o momento em que São Paulo mais tenha a influência de policiais militares. Com poder em jogo, os ânimos se acirram, em qualquer área.

Por que agora? E o que está em jogo?
Caramante –
 Estamos em um momento propício por conta da já citada aproximação sem precedentes (da polícia) com outras esferas do poder público. Muitos oficiais da PM notaram, e agora tentam dar vazão a isso, que há outras e importantes áreas para onde estender seu campo de atuação – e de poder.
Você cobre a área policial há 13 anos. Documentou, como repórter, a ascensão do PCC. Você costuma dizer que vivemos numa guerra. Por quê? Como é essa guerra e em que momento dessa guerra estamos hoje?
Caramante –
 É uma guerra entre o grupo criminoso PCC e as forças de segurança do Estado. O PCC é forte porque controla o tráfico de drogas no estado de São Paulo. É inegável o fato de o estado de São Paulo, desde 1999, ter conseguido baixar suas taxas de homicídios dolosos (intencionais). Essa queda, porém, é fruto de controle duplo: se deve tanto a progressos na Segurança Pública quanto ao comando do PCC. Em muitas situações, é o PCC quem decide quem morre em São Paulo, nos chamados tribunais do crime. Hoje, outubro de 2012, a guerra está mais acirrada entre o PCC e os policiais militares da Rota, considerada uma tropa de elite da PM paulista e que conta com 820 integrantes. Investigações contra o PCC antes feitas pela Polícia Civil, que tem essa atribuição pela lei, foram remetidas à Rota, que tem função de policiamento preventivo, ou seja, trabalhar para evitar que o crime ocorra.Estou dizendo isso porque defendo criminosos e quero dar uma chance a eles? Não. Falo porque é ilegal. Quem investiga é a Polícia Civil. Há aí uma nítida tentativa de empoderar ainda mais os integrantes da Rota. É o Estado agindo ilegalmente.
Por quê?
Caramante –
 Isso é um reflexo da atual cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que tem um histórico de relacionamento intrínseco com a Rota. Nos primeiros escalões da segurança pública paulista, também, impera uma certa desconfiança quanto à atuação de parte da Polícia Civil nas investigações sobre o PCC. Fala-se em corrupção.
Na semana passada, a Folha publicou que arquivos da facção PCC revelam atuação em 123 cidades de São Paulo, com 1.343 homens em todas as regiões do estado. O governo de São Paulo tentou minimizaro impacto das informações e o poder do PCC. O governador, Geraldo Alckmin, afirmou que “há muita lenda” sobre facções criminosas no estado de São Paulo. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, declarou: “A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões”. O coronel da Polícia Militar Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante do policiamento da capital, disse que existe “folclore” nas informações sobre o PCC. Qual é a verdade?
Caramante – 
Curioso como esse folclore é alinhado à realidade. No mês passado, por exemplo, a Rota matou nove pessoas envolvidas em um “tribunal do crime”, um julgamento no qual um homem suspeito de estuprar uma menina teria sua vida decidida pelos criminosos do PCC. Um dos nove mortos pela Rota era o “réu” do partido do crime, como os policiais chamam o PCC. Para justificar a ação, o governo disse que todos eram muito perigosos, que integravam o PCC. Passado o calor do acontecimento, o governo voltou à postura habitual de minimizar a importância, o tamanho e o poder do grupo. Se são apenas 30 ou 40 indivíduos, as oito mortes no mês passado reduziram significativamente o PCC. É isso o que vemos quando policiais militares são mortos quando estão de folga, como tem ocorrido constantemente em São Paulo? Será que o PCC deixou de decidir quem vive ou quem morre durante um “tribunal do crime”, quase sempre via telefones celulares usados por criminosos que estão presos e, na teoria, deveriam estar sem comunicação com as ruas? Quem vive na periferia de São Paulo sabe bem como as coisas são.
E como as coisas são? Como é o cotidiano de quem vive na periferia com relação ao PCC e à Rota?
Caramante –
 O PCC domina os pontos de tráfico de drogas em São Paulo. Para evitar a presença das polícias, tenta corromper alguns de seus integrantes e também busca evitar crimes nas redondezas dos pontos de tráfico, principalmente homicídios. No meio disso, quem não é nem do PCC, nem da polícia, assiste a tudo em silêncio, esperando que não "sobre" para si.
O governador Geraldo Alckmin trocou o comando da Rota, no final de setembro. Entre as razões, estaria a divulgação de que o número de pessoas assassinadas pela tropa aumentou 45% nos primeiros cinco meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Qual é a sua opinião sobre a Rota? Ela deveria acabar?
Caramante –
 Não só a Rota, mas toda a Polícia Militar. A PM tem uma estrutura que desconhece meritocracia e privilegia uma variação do nepotismo. Policiais dos escalões mais baixos são usados como degrau para filhos de oficiais que estão no topo da pirâmide. É como se o filho do coronel fosse, desde sempre, o coronel de amanhã, e o filho do praça já nascesse sabendo que jamais será oficial. Há exceções que o governo pode vir a bradar, claro, mas a regra é mais ou menos essa.Quantos oficiais foram mortos pelo PCC?Nenhum. É óbvio que não tem de morrer nem o official, nem o praça. Mas, hoje, só morre aquele trabalhador que está na linha de frente e também vive na periferia de São Paulo.Quem cobre segurança pública em São Paulo também sabe que os policiais da Rota saem às ruas com um ímpeto diferenciado e, às vezes, alguns deles cometem excessos. É o caso da morte do representante comercial Paulo Alberto Santana Oliveira de Jesus em Osasco, na Grande São Paulo, em setembro de 2011. Ele foi morto em casa, desarmado e com as mãos para trás. Em maio deste ano, das mortes de seis suspeitos de integrar o PCC na zona leste de São Paulo, um deles foi levado a uma rodovia e executado. Em ambas as situações, foi forjado um confronto armado, segundo dados apresentados por promotores. As seis mortes na zona leste são tidas como estopim para o atual acirramento da violência entre PCC e Rota.
Me parece curioso, para dizer o mínimo, que um repórter tenha de se esconder para proteger sua vida após ter denunciado que um candidato a vereador pelo PSDB e ex-comandante da Rota disseminava a violência no Facebook e ninguém, de nenhum partido, tenha falado disso durantea campanha. Você tem alguma hipótese para esse silêncio?
Caramante – 
No fim de setembro, um candidato a vereador em São Paulo, assim como esse ex-chefe da Rota, pediu a impugnação da candidatura dele e alegou que esse senhor aparecia em sua propaganda política fardado, o que não é permitido pela lei eleitoral. Esse mesmo candidato também foi alvo da ira dos simpatizantes do ex-chefe da Rota e recebeu ameaças. A promotoria eleitoral também pediu, na semana passada, a impugnação da candidatura desse PM reformado e alegou que ele utilizou sua página no Facebook para incitar a violência.
Por que você se tornou repórter de polícia?
Caramante – 
Porque quem tem a obrigação de nos defender não pode, sob hipótese alguma, atentar contra nós. Também queria que meu pai tivesse o orgulho de ver seu sobrenome no jornal por uma causa justa.Sempre admirei o trabalho de repórteres como ( Caco) Barcellos. Há histórias e situações que precisam ser contadas. Admiro muito, também, José Hamilton Ribeiro, mestre na arte de contar histórias. Ouvi palavras de apoio dos dois recentemente. As de Barcellos recebi com reverência. O tenho como meu maior exemplo. As de seu Zé Hamilton, com emoção. Me pegou desprevenido. Me marcou.Quero agradecer cada mão estendida e cada palavra de apoio que foi dita em nome da garantia do direito de informar e ser informado.
“Repórter de polícia” ainda é uma boa definição para jornalistas como você?
Caramante – 
Acredito que o termo “repórter de polícia” deixou de existir. Hoje, cobrimos segurança pública e, por conta de uma evolução da cobertura nessa área, que deixou de ser tão vinculada às autoridades, como era no passado, somos repórteres de segurança pública.

E qual é a importância de se cobrir a área de segurança pública num país como o Brasil?
Caramante – 
É um tema intimamente ligado ao cotidiano das pessoas, e ainda temos muito a evoluir tanto no combate à criminalidade comum quanto à de parte das forças de segurança.
Você monitora o número de pessoas mortas pela polícia. Quantos foram mortos até hoje no estado de São Paulo?
Caramante – 
Sim, monitoro porque o jornal para o qual trabalho dá atenção especial para a questão da letalidade policial. Tenho meu próprio sistema de dados, no qual registro todas as mortes cometidas por policiais militares. Estes números não batem com os oficiais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulga em sua página na internet apenas as chamadas "resistências seguidas de morte", mas há outros casos que entram na vala comum dos homicídios dolosos cometidos por qualquer cidadão. Minha contabilidade mostra que, entre 2005 e agosto deste ano, policiais militares mataram 4.358 pessoas no estado. Destas, 3.401 foram em “resistência(à prisão) seguida de morte” – figura jurídica inexistente, repito – e 957 em homicídios dolosos, que vão desde brigas em bar, no trânsito, casos conjugais, até mortes como a do empresário Ricardo de Aquino. São 47,3 mortos por PMs a cada mês. Ou seja: 1,5 a cada dia. Este é o retrato de uma Polícia Militar extremamente letal e que precisa passar por reformas o quanto antes. 
Em que medida as relações entre o aparato de repressão do Estado e a população explicitam a desigualdade e as fissuras da sociedade brasileira num estado como São Paulo?
Caramante –
 A Polícia Militar que atua dentro do perímetro do rodízio de veículos (de São Paulo), o chamado centro expandido, não é a mesma que atua na periferia. Temos duas polícias militares para cuidar da mesma cidade, e cada uma delas trata os cidadãos de maneira diferenciada, isso de acordo com o CEP da pessoa. Muitas vezes, policiais são mandados à periferia como forma de punição dentro do jogo de poder que não está nos manuais da corporação. Então, já vai para lá com um sentimento diferenciado. Recentemente, pesquisadores mostraram, com base em dados da Secretaria Municipal da Saúde, que 93% dos mortos pela Polícia Militar moravam na periferia de São Paulo. O estudo teve como base os anos entre 2001 e 2010. No período, dos mortos por PMs, 54% eram pardos ou negros.
Hoje há programas de TV que cobrem a área policial, nos quais suspeitos são tratados por jornalistas como condenados – e condenados sem direito algum –, marcas de tortura em detidos e presos são ignoradas e apresentadores incitam a violência da sociedade contra “vagabundos”. Você acha que esse tipo de imprensa colabora para que jornalistas como você, que trabalham com seriedade e denunciam também os abusos cometidos pela polícia, sofram ameaças?
Caramante –
 São profissionais da imprensa que recebem altos salários para fazer o que fazem. Eles são experientes e, creio, no fundo sabem que somente a Justiça pode condenar ou inocentar algum suspeito de determinado crime. Estão ali por cifras altas. É a mesma situação de um profissional de jornalismo que abandona a carreira numa redação para ser assessor e ganhar R$ 1 milhão por seis meses de trabalho numa campanha política. São opções e temos de respeitar quem as toma. Mas essas pessoas também têm de respeitar quem não pensa como elas.
Como é estar no lugar de vítima para você, que tanto denunciou a violação de direitos humanos dos mais pobres e indefesos?
Caramante – 
Vítima é a dona Maria da Conceição, mãe do Antonio Carlos da Silva, o Carlinhos, portador de deficiência mental que foi morto por policiais militares que integram o grupo de extermínio “Highlanders”, segundo a Polícia Civil e a Promotoria. Ele teve a cabeça e as mãos arrancadas após ter sido morto porque andava na rua e tinha dificuldades de comunicação.
Você pode contar melhor esta história?
Caramante – 
Carlinhos foi morto em outubro de 2008, na periferia da zona sul de São Paulo. Estava perto de casa quando foi obrigado a entrar em uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda no local. Vizinhos assistiram à cena e relataram à família. Imediatamente, a mãe, dona Maria da Conceição dos Santos, a irmã, Vânia Lúcia, e o pai começaram a procurá-lo. Poucas horas depois foram até o 37º Batalhão, onde ouviram da boca dos PMs – que, segundo a Polícia Civil e a Promotoria, mataram seu filho – que não o tinham visto. Encontraram o corpo de Carlinhos, decapitado e com as mãos arrancadas, em uma cidade vizinha. Ele, que era portador de necessidades especiais, tinha dificuldades para se comunicar. 
Uma das maiores dificuldades da situação que você está vivendo parece ser o fato de ter virado notícia. Por quê?
Caramante – 
Para começar, nunca me vi numa situação assim. Não é para isso que decidi ser repórter. A questão da exposição parece parte de uma realidade paralela, não se encaixa na minha trajetória. Optei por sempre passar despercebido.Quero poder continuar sentando numa delegacia sem que ninguém saiba quem eu sou.
Imagino que você tenha medo em alguns momentos ou o tempo todo. Como lida com isso?
Caramante – 
O medo pode ser uma ótima ferramenta para aguçar os instintos. Sim, pode ser devastador também. Tento utilizá-lo como um agente minimizador de riscos. Nos momentos mais difíceis de administrá-lo, busco lembrar por que estou nesta caminhada. Me vêm à mente pessoas das quais contei histórias. O foco são elas, não eu.
Há perspectiva de sair dessa situação em breve?
Caramante – 
Minha situação atual passa por constante avaliação da direção do jornal. Por enquanto, manteremos como está.
Como essa experiência está transformando você? Já é possível perceber alguns impactos e mudanças?
Caramante – 
Situações dessa intensidade são oportunidades para reafirmar algumas ideias e descartar outras. Houve impacto, e mudanças certamente virão. Mas estão em curso, e por isso prefiro guardá-las aqui comigo.
Que ideias você reafirmou e quais descartou?
Caramante –
 Reafirmei, por exemplo, a ideia de que tenho de permanecer alguém que conta as histórias dos outros, e também meu intuito de contribuir, minimamente que seja, para a melhoria dos setores que cubro. Deixei de lado a ideia de que riscos podem ser mensurados com algum grau de exatidão. Ninguém faz nada, até que alguém faça.
Como tem sido seu cotidiano nessa situação de ameaçado de morte?
Caramante – 
Realmente acho difícil falar sobre isso. Há preocupação referente não apenas à situação atual, mas a como será no futuro. Esta não é uma situação que tenha prazo de validade.Agora à noite, um dos meus filhos disse que preferia estar na nossa casa de verdade. Perguntei o motivo. "Lá é mais colorido."